NOVA YORK, 19 Mar 2008 (AFP) - A entrega do 787, o novo avião do construtor americano Boeing, pode atrasar por mais seis meses, advertiu nesta quarta-feira Steven Udvar-Hazy, presidente e diretor executivo da companhia aeronáutica ILFC, primeiro cliente deste grande aparelho.
O calendário de lançamento do 787 "não é feliz", disse Hazy em entrevista coletiva organizada pelo JP Morgan Chase.
A montagem do primeiro exemplar do modelo "Dreamliner", prevista para o final de março, será impossível antes de junho, e o vôo inaugural só deve ocorrer no outono (boreal), e não em junho, como prevê a Boeing.
Hazy estimou que pode se passar ainda mais um ano até que o avião seja certificado pelas autoridades, com as primeiras entregas ocorrendo apenas no terceiro trimestre de 2009, e não no primeiro trimestre, como prometia a Boeing.
"Os comentários de Hazy confirmam os temores dos investidores", assinala o JPMorgan.
O atraso é provocado por modificações na estrutura da fuselagem do aparelho, que apresenta problemas no ponto de sustentação das asas.
A análise do JP Morgan destaca que "um grande número de 787 foi comprado a baixo preço, mas os custos fixos estão aumentando, o que deixa cada vez menos margem e rentabilidade".
Diante dos problemas, o Banco reduziu sua estimativa de encomendas para 2009 a 30 aviões, no lugar de 60, e de ganho por ação da Boeing em 2009 a 6,85 dólar, contra 7,15 dólar.
As declarações de Hazy corroboram as análises do especialista do banco Goldman Sachs Richard Safran, que também previu um atraso de ao menos seis meses no programa do Dreamliner 787, com as primeiras entregas em setembro de 2009.
Um porta-voz da Boeing disse que o grupo está analisando seu calendário e que "não se pronunciará até o final de março".
O primeiro vôo do Dreamliner estava previsto inicialmente para agosto de 2007, com as primeiras entregas em maio de 2008.
O Dreamliner 787, um birreator particularmente econômico, já é um grande sucesso comercial, com mais de 800 exemplares vendidos desde seu lançamento, em 2004.
Considerado o mais moderno avião comercial de passageiros do mundo, o 787 foi apresentado à imprensa em julho de 2007, e no dia de seu lançamento já tinha 670 unidades encomendadas, por 48 companhias aéreas internacionais.
Com capacidade para transportar de 200 a 350 passageiros, dependendo do modelo e da configuração, o 787 é o primeiro avião comercial a ser fabricado primariamente com material composto e fibra de carbono.
Planejado para ser um avião de longo alcance, o 787 foi criado para fazer vôos sem escalas entre cidades muito distantes, com alcance entre 6,5 mil quilômetros (modelo de maior capacidade de passageiros) e 15 mil quilômetros.
O 787 é produzido com 50% de materiais compostos, 20% de alumínio, 15% de titânio, 10% de aço e 5 % de outros materiais.
Seu custo por milha é 10% inferior ao de aviões do mesmo porte e graças à sua estrutura de materiais compostos, ele pesa apenas 13.000 toneladas, contra 18.000 do A330, que é considerado um dos melhores birreatores do mundo.
O 787 é 60% mais silencioso que qualquer outro jato e enquanto um Boeing 767 faz uma revisão completa a cada seis anos, o novo avião é revisado a cada doze anos.
leb/LR
AFP