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"Em apenas três anos, os pesquisadores começaram a prever esta redução do gelo do Ártico de 2100 para 2040, e agora já se fala em 2020 e 2015", afirmou Duarte em entrevista coletiva. Ele advertiu da aceleração progressiva da perda de gelo no Ártico, após ter dirigido em 2007 uma expedição científica à região.
Antes de 2005, explicou, "parecia que o degelo era um processo paulatino, pelo que se calculava o desaparecimento da cobertura de gelo no verão de 2100", mas em 2005, acrescentou, "aconteceu uma perda muito grande", o que acelerou esta previsão para 2040. No entanto, no verão do ano passado aconteceu "o degelo mais abrupto" do Ártico, já que, segundo seus cálculos, "se fundiram 20 km de extensão de gelo ao dia".
Questionado sobre as causas deste fenômeno, Duarte disse que a comunidade científica não pôde ainda determiná-las, mas, segundo ele, há várias hipóteses. Uma delas refere-se ao aumento da temperatura na atmosfera, que em 2007 registrou "a maior magnitude térmica", ao se situar em 20°C, o dobro do registro médio dos últimos anos.
Além disso, indicou como possível causa a alteração da temperatura na circulação oceânica no Ártico, "pois é um oceano muito vulnerável à mudança climática", e o aumento do fluxo de água quente entre os oceanos Atlântico e Ártico.
No entanto, afirmou que apesar de este processo "não ter grandes efeitos no nível do mar", afeta sua biodiversidade, sobretudo das espécies de animais em risco de extinção, como o urso polar e as morsas, assim como o plâncton. Duarte destacou que o gelo do Ártico tem uma alta quantidade de poluentes, pelo que quando se desfaz passa a fazer parte da cadeia alimentar e repercute tanto em pessoas como animais; os esquimós têm, assim, um nível de poluentes no sangue muito superior ao de qualquer outra sociedade.
O oceanógrafo destacou que sob o gelo do Ártico se localiza, aproximadamente, "25% das reservas mundiais de recursos petrolíferos e gasosos ainda a descobrir".
EFE