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Líder opositora birmanesa se reúne com mediador da ONU

Sábado, 8 de março de 2008, 15h05


A opositora birmanesa Aung San Suu Kyi se reuniu neste sábado, em Yangún, com o mediador da ONU, Ibrahim Gambari, depois de deixar a residência onde se encontra sob prisão domiciliar, enquanto a junta militar anunciou sua intenção de não ceder à pressão internacional para modificar seus planos eleitorais.

Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz sob prisão domiciliar desde 2003, pôde se encontrar com Gambari em um edifício governamental nas duas viagens anteriores do mediador a Mianmar, em setembro e novembro passados, depois da repressão de um movimento de protesto popular liderado pelos monges budistas.

Gambari realiza desde quinta-feira uma nova missão de mediação em Mianmar, onde o regime militar quer organizar em maio um referendo sobre uma nova Constituição, elaborada sob absoluto controle, e que abriria a possibilidade para eleições legislativas em 2010.

Nenhuma informação transcedeu do encontro, e a líder opositora voltou para a casa sem poder fazer declarações à imprensa.

Vários países ocidentais responderam que estas eleições não teriam credibilidade se não fossem livres, transparentes e se Aung San Suu Kyi e a oposição não participassem do processo.

Segundo o projeto de Constituição, Suu Kyi, de 62 anos, poderia ter se tornado inelegível, pela simples razão de ter se cassado com um estrangeiro, o britânico Michael Aris, morto de câncer em 1999.

Em declarações citadas pela imprensa oficial sexta-feira e sábado, o ministro birmanês de Informação, general Kyaw Hsan, afirmou a Gambari que a junta militar no poder não tem a intenção de emendar o projeto de Constituição, e acusou o mediador da ONU de "parcialidade" em favor da líder opositora.

O regime birmanês rejeitou a proposta da ONU segundo a qual as Nações Unidas enviariam observadores independentes para o referendo sobre uma nova Constituição, previsto para maio.

"O ato de celebrar um referendo sobre a Constituição é de domínio da soberania do país", declarou Thaung Nyung, membro da comissão sobre o referendo criada pela junta militar.

No passado, para os temas internos, Mianmar jamais teria recebido observadores estrangeiros, acrescentou o responsável.

"Nós temos experiência suficiente, mas tomamos nota da proposta" de assistência técnica para o referendo e as eleições, feita pelo mediador da ONU Ibrahim Gambari em missão em Mianmar, afirmou Nyung.

AFP
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Terra - Brasil
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