Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz sob prisão domiciliar desde 2003, pôde se encontrar com Gambari em um edifício governamental nas duas viagens anteriores do mediador a Mianmar, em setembro e novembro passados, depois da repressão de um movimento de protesto popular liderado pelos monges budistas.
Gambari realiza desde quinta-feira uma nova missão de mediação em Mianmar, onde o regime militar quer organizar em maio um referendo sobre uma nova Constituição, elaborada sob absoluto controle, e que abriria a possibilidade para eleições legislativas em 2010.
Nenhuma informação transcedeu do encontro, e a líder opositora voltou para a casa sem poder fazer declarações à imprensa.
Vários países ocidentais responderam que estas eleições não teriam credibilidade se não fossem livres, transparentes e se Aung San Suu Kyi e a oposição não participassem do processo.
Segundo o projeto de Constituição, Suu Kyi, de 62 anos, poderia ter se tornado inelegível, pela simples razão de ter se cassado com um estrangeiro, o britânico Michael Aris, morto de câncer em 1999.
Em declarações citadas pela imprensa oficial sexta-feira e sábado, o ministro birmanês de Informação, general Kyaw Hsan, afirmou a Gambari que a junta militar no poder não tem a intenção de emendar o projeto de Constituição, e acusou o mediador da ONU de "parcialidade" em favor da líder opositora.
O regime birmanês rejeitou a proposta da ONU segundo a qual as Nações Unidas enviariam observadores independentes para o referendo sobre uma nova Constituição, previsto para maio.
"O ato de celebrar um referendo sobre a Constituição é de domínio da soberania do país", declarou Thaung Nyung, membro da comissão sobre o referendo criada pela junta militar.
No passado, para os temas internos, Mianmar jamais teria recebido observadores estrangeiros, acrescentou o responsável.
"Nós temos experiência suficiente, mas tomamos nota da proposta" de assistência técnica para o referendo e as eleições, feita pelo mediador da ONU Ibrahim Gambari em missão em Mianmar, afirmou Nyung.
AFP