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Relatório: País e África viram nova rota do tráfico

Terça, 4 de março de 2008, 21h42

Jeferson Ribeiro
Direto de Brasília


O relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) sobre consumo e produção de drogas no mundo mostra que uma nova rota do tráfico está se intensificando nos últimos anos e está se configurando como a nova porta de saída da cocaína produzida na Colômbia - de alta qualidade - para abastecer a Europa. Segundo o levantamento, a droga sai de território colombiano, passa pelo Brasil e é transportada por aviões particulares, navios e iates para a África. De lá, a cocaína é distribuída de vários países para consumidores europeus.

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"A África Ocidental está rapidamente se tornando a mais importante rota de contrabando de cocaína que vem da América do Sul enviada para a Europa. A Interpol estima que 200 a 300 t de cocaína chegam à Europa. Traficantes também estão usando a África, particularmente o centro do continente, como rota de passagem de precursores como efedrina e pseudo-efedrina. A falta de uma legislação sólida contra o tráfico de precursores na maioria dos países africanos facilita a compra de produtos químicos para a fabricação ilícita de drogas. A África responde por 7,6% do total de consumidores de cocaína no mundo - concentrados especialmente no oeste e sul da África e em áreas costeiras do norte do continente", diz o relatório.

Segundo o representante regional do escritório da ONU contra Drogas e Crime (UNODC) no Brasil e no Cone Sul, Giovanni Quaglia, cerca de 25% do consumo europeu já começa a ser alimentado por essa nova rota envolvendo Colômbia, Brasil e o continente africano. Os clientes da Europa ainda recebem a maior parte da droga pela rota direta que liga os traficantes colombianos ao velho continente ou que usam o Brasil com passagem antes de chegar à Europa.

Em outro trecho do relatório, a Jife diz que "por fora da costa de Cabo Verde e Guiné, são enviadas grandes quantidades de cocaína, a maioria destinada a Portugal e Espanha. Durante os oito primeiros meses de 2007, foram apreendidas importantes quantidades de cocaína em Benin, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Mauritânia e Senegal. Na África, a cocaína é redirecionada, dividida em pequenas quantidades e introduzida por contrabando na Europa por via aérea, sendo utilizados, para tal, correios locais".

O delegado Roberto Troncon, da divisão de combate ao crime organizado da Polícia Federal, disse que o Brasil tem se esforçado no combate a essa nova rota do tráfico. Prova disso seria o aumento de apreensões da droga em 2007.

Segundo o relatório da Jife, os traficantes de cocaína costumam partir de aeroportos diferentes e utilizar rotas distintas depois que a droga chega ao continente africano, para não serem descobertos.

"Na África ocidental, os principais aeroportos utilizados pelos correios que introduzem a cocaína contrabandeada na Europa são os de Dakar, Conakry, Freetown, Banjul, Accra e Lagos. Além das rotas diretas até a Europa, novas rotas de tráfico vêm surgindo, atravessando a África setentrional e a península arábica. Levando em conta o aumento da oferta de cocaína na África ocidental, foram desenvolvidas redes organizadas de tráfico capazes de adquirir e redistribuir centenas de kg de cocaína", diz o relatório.

Segundo Quaglia, o surgimento dessa rota é uma das maiores preocupações em relação ao tráfico, já que os mecanismos de controle no continente africano ainda são precários e a legislação ainda é insuficiente para combater o tráfico internacional.

Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
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