O observador da Nasa Chandra flagrou uma formação de nuvens com gás enriquecido na galáxia Antena, que resultou da colisão entre duas outras galáxias |
"O enriquecimento de elementos pesados na Antena é fenomenal", diz Giuseppina Fabbiano de Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts, que coordena o time responsável pela pesquisa. "Isso deve ser em função de uma elevada taxa de explosões de supernovas nessas galáxias colididas".
Quando as galáxias colidem, choques diretos entre estrelas são extremamente raros, mas colisões entre grandes nuvens de gás nas galáxias causam um "baby boom" estrelar. Recém-nascidas estrelas em massa correm através de sua evolução em poucos milhões de anos e explodem como supernovas. Elementos pesados manufaturados nessas estrelas explodem junto e enriquecem o gás ao redor por milhares de anos-luz.
A taxa de supernovas na Antena é cerca de 30 vezes maior que a da nossa galáxia. Explosões de supernovas aquecem o gás nessas galáxias a milhões de graus Celsius - tão quente que emite raios-X. Tais nuvens são geralmente invisíveis a telescópios ópticos, mas são alvos fáceis do observador Chandra, cujos dados revelaram regiões de alta variedade de enriquecimento. Em uma nuvem, por exemplo, magnésio e silício são entre 16 e 24 vezes tão abundantes quanto no Sol.
"Esses são tipos de elementos que formam construções de blocos ideais para planetas rochosos habitáveis", explica Andrew King da Universidade de Leicester, no Reino Unido, e co-autor do estudo. "Esse processo ocorre em todas as galáxias, mas é mais aprimorado pelas colisões".
Enquanto o enriquecido gás esfria, uma nova geração de estrelas se formará, e com elas novos planetas. Vários estudos indicam que nuvens enriquecidas em elementos pesados são mais propícias a formar estrelas com sistemas planetários, então no futuro um não usual número de planetas se formará em Antena.
"Se surgir vida em uma significante fração desses planetas, então no futuro Antena estará cheia de vida", especula Francois Schweizer, outro co-autor proveniente do Observatório Carnegie, em Pasadena, Califórnia.
A uma distância de cerca de 60 milhões de anos-luz, o sistema de Antena é o mais próximo exemplo de colisão entre duas grandes galáxias. A colisão, que começou há cerca de 200 milhões de anos atrás, tem sido tão violenta que gases e estrelas das galáxias são ejetados nos dois longos arcos que dão nome ao sistema.
As imagens do Chandra mostram os espetaculares laços de 3 milhões de graus de gás estendidos ao sul da antena. "Esses laços podem retirar alguns desses elementos dispersos pelas supernovas no espaço intergaláctico", acrescenta o co-autor Trevor Ponman da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
A Antena dá uma visão em close-up do tipo de colisões que eram comuns no início de um repleto Universo e, provavelmente, apontam para a formação de muitas estrelas que existem hoje no Universo. Elas também indicam o futuro da colisão da Via Láctea com a Andromeda, a cerca de 3 bilhões de anos. As tremendas forças gravitacionais vão romper ambas galáxias e reformá-las, provavelmente como uma gigante galáxia elíptica temperada com centenas de milhões de estrelas como o Sol. E, talvez, centenas de milhões de planetas habitáveis, também.