"Proponho que Najaf (cidade santa xiita iraquiana), Qom (centro religioso dos xiitas no Irã), e Al Azhar (principal autoridade dos muçulmanos sunitas) promulguem uma fatwa (decreto religioso) para boicotar os produtos franceses", declarou Sadr. "Se não conseguirmos aprovar esta decisão, pelo menos temos de ameaçar tomá-la", acrescentou o líder xiita em Kufa, 160 quilômetros ao sul de Bagdá.
"Se não fizermos nada hoje, outros países como a Alemanha seguirão o exemplo da França", avisou, incentivando os muçulmanos a enviar mensagens de protesto à embaixada da França em Bagdá. "É impossível proibir o véu, pois trata-se de um dever religioso dos muçulmanos", afirmou, qualificando a decisão de Chirac de "insolente".
Na periferia xiita de Sadr City, outro dignitário, Seyyed Husseini, condenou esta proibição e se perguntou "onde está a liberdade que a França se gaba de simbolizar?". "Exortamos a boicotar os produtos franceses, e incentivamos os muçulmanos da França a continuar usando o véu", acrescentou.
Em Mossul, 450 quilômetros ao norte de Bagdá, centenas de mulheres se manifestaram hoje, clamando que "a decisão francesa é contrária às liberdades".
A decisão tomada pelo presidente francês de proibir nos colégios todos os sinais religiosos "ostensivos", entre eles o véu islâmico, indignou diversos países árabes e muçulmanos.
AFP