Os manifestantes, a maioria muçulmanos, agitavam no ar seus documentos de identidade franceses ou a bandeira nacional em sua passeata no centro de Paris, levantando cartazes com os dizeres "meu véu, minha voz" ou "véu, cruz, kipá, a escolha é nossa".
O projeto de lei, que será submetido ao Parlamento em fevereiro, proibiria os símbolos religiosos como véus, kipás judaicas e cruzes cristãs grandes.
Os muçulmanos devotos acreditam que as mulheres devem cobrir a cabeça da vista dos homens que não tenham vínculo de parentesco com elas. Os judeus devotos usam kipás, ou solidéus, como sinal de constante reverência a Deus.
Os estudantes poderão usar símbolos discretos de sua fé como pingentes, a estrela de Davi, ou cruzes. "Na França, todos podem dizer o que pensam. Quem aprova essa lei já falou, agora é nossa vez", disse Wouassila, um dos organizadores do protesto.
Clérigos muçulmanos influentes conclamaram os muçulmanos a usarem sua influência política e econômica na França para combater a lei, enquanto o clérigo superior da Síria ligou a Chirac hoje para pedir que o presidente reconsidere a legislação.
O mufti Ahmad Keftarou pediu a Chirac em uma carta que "reconsidere seu apoio a essa decisão para estar em harmonia com a grande história da França (...) e sua tradição moderada de permitir a co-existência entre religiões, raças e diversas nacionalidades".
Grupos anti-racismo disseram que a medida é no mínimo dúbia legalmente e ajudaria apenas a aumentar o sentimento de hostilidade contra os muçulmanos.
Reuters