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Conselho muçulmano francês é contra proibir véu

Segunda, 15 de dezembro de 2003, 21h28


Os dirigentes do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) expressaram hoje sua "grande inquietação" diante da possibilidade de que seja proibido o uso em escolas de símbolos religiosos ostensivos, como o véu islâmico. Em carta aberta ao presidente da França, Jacques Chirac, o principal órgão de representação dos muçulmanos franceses afirma que as recomendações feitas na semana passada ao chefe do Estado por um grupo de especialistas para defender o laicismo no país são "discriminatórias".

Chirac fará na próxima quarta-feira um discurso pela televisão para se pronunciar sobre a necessidade ou não de proibir por lei o uso do véu islâmico e de outros símbolos religiosos ostensivos em escolas, tentando resolver uma discussão que polariza a sociedade francesa.

Em seu relatório, entregue na quinta-feira passada a Chirac, a comissão presidida por Bernard Stasi e composta por 20 especialistas propõe que "sejam proibidos em escolas, colégios e liceus as roupas e símbolos que manifestem uma pertinência religiosa ou política". O informe pede a proibição dos "sinais ostensivos, como uma grande cruz, o véu ou a quipá", mas não dos "discretos", como medalhas ou pequenas cruzes, Corões ou estrelas de David.

Reunido hoje em caráter extraordinário para analisar o relatório da "comissão Stasi", o CFCM disse que o "espírito geral e o tom" do documento "estigmatizam" os muçulmanos e "não levam em conta a realidade do Islã na França". Segundo a CFCM, a definição de laicismo contida no relatório representa um passo para trás em relação às leis existentes.

O CFCM acusa os especialistas de ter reduzido a questão do véu islâmico a "um assunto de ordem pública" e denuncia que os sinais religiosos apresentados como discretos e atribuídos ao Islã "têm mais relação com a tradição do que com a prática religiosa". Em entrevista coletiva, muitos dos dirigentes da CFCM destacaram a "gravidade" da atual situação.

Paradoxalmente, 53% dos muçulmanos na França se opõem ao uso visível dos sinais religiosos nas escolas, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira. De acordo com a "comissão Stasi", o uso do véu é relativo a setores fundamentalistas do Islã e qualificado como um emblema "político-religioso", e os símbolos discretos só confirmam uma fé.

Fontes próximas a Chirac disseram que o chefe do Estado francês deve se pronunciar a favor de uma lei sobre o laicismo, como pede a "comissão Stasi", mas não defenderá a proposta dos especialistas de criar dois novos feriados no calendário escolar: o Aid-el-Kebir muçulmano e o Yom Kipur judeu.

Em entrevista que será publicada amanhã pelo jornal "Le Parisien", o primeiro-ministro da Fraça, Jean-Pierre Raffarin, que pretende suprimir um dos onze feriados atuais, expressa sua "surpresa" em relação a essa proposta e se pergunta se os especialistas "refletiram o suficiente sobre sua implementação".

Raffarin, que conversará amanhã com Chirac sobre a espinhosa questão, acha que os agentes do Estado devem ter "meios jurídicos" para que as normas do laicismo sejam respeitadas.

EFE
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Terra - Brasil
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