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Homem nu protesta contra Guarda Municipal do Rio

Quinta, 27 de novembro de 2003, 14h01
Aposentado pelado em protesto no Rio
Aposentado pelado em protesto no Rio
27 de novembro de 2003
JB Online


O aposentado Carlos Alberto Guimarães, de 58 anos, abaixou diversas vezes as calças, ficando nu em pleno Centro do Rio de Janeiro, para protestar contra a ação da Guarda Municipal e da Polícia Militar para reprimir o comércio irregular de vendedores ambulantes.

Na Rua Sete de Setembro, onde se concentra a fiscalização da prefeitura, o homem abaixou várias vezes as calças, enquanto os guardas municipais apenas assistiam. Dizendo estar passando fome, o aposentado pediu que o prefeito Cesar Maia deixe os camelôs trabalharem. Ele foi algemado e levado preso pela Guarda Municipal.

Ontem, o confronto entre a guardas municipais e policiais militares contra camelôs, na Avenida Rio Branco, no Centro, deixou uma caminhonete da Prefeitura incendiada, três feridos e 39 detidos. A população local ficou aterrorizada e o comércio fechou as portas por algumas horas. Pelo menos duas lojas foram apedrejadas.

À noite, houve confusão em uma delegacia onde estavam familiares de camelôs detidos. Policiais teriam identificado, entre eles, um homem que teria participado dos conflitos, à tarde. Ele foi detido depois de um tumulto entre policiais e familiares. Um PM também foi detido por abuso de autoridade.

Hoje, 130 guardas municipais estão ocupando diversas ruas do Centro do Rio para evitar o comércio irregular. Desse total, 35 vão ficar ao longo da Avenida Rio Branco. Um contigente da Polícia Militar presta apoio à ação.

Com opinião contrária ao do aposentado, parte da população apóia a operação organizada pelo Departamento de Fiscalização e Controle Urbano (DFCU) da Prefeitura em conjunto com a Guarda Municipal e com apoio da PM.

O cenário de ruas livres de camelôs chamou a atenção hoje dos pedestres que, diariamente, disputam espaço com as bancas do comércio ambulante para trafegar pelas ruas do Centro.

O advogado Durval de Oliveira Filho, de 49 anos, elogiou a ação. "É ótimo, uma maravilha conseguir andar pelo Centro. Isso é um passo para a ordem pública, uma demonstração de coesão e continuidade", disse.

O funcionário público Carlos Max, de 46 anos, que trabalha há 15 anos no Centro, engrossa o coro. "Acredito que se mantiver a repressão com coesão, haverá tranqüilidade. O que não pode é ocorrer uma batalha campal, como assistimos sempre. O camelô argumenta que está trabalhando, mas o trabalho dele também desemprega", frisou.

JB Online
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Terra - Brasil
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