Aposentado pelado em protesto no Rio |
Na Rua Sete de Setembro, onde se concentra a fiscalização da prefeitura, o homem abaixou várias vezes as calças, enquanto os guardas municipais apenas assistiam. Dizendo estar passando fome, o aposentado pediu que o prefeito Cesar Maia deixe os camelôs trabalharem. Ele foi algemado e levado preso pela Guarda Municipal.
Ontem, o confronto entre a guardas municipais e policiais militares contra camelôs, na Avenida Rio Branco, no Centro, deixou uma caminhonete da Prefeitura incendiada, três feridos e 39 detidos. A população local ficou aterrorizada e o comércio fechou as portas por algumas horas. Pelo menos duas lojas foram apedrejadas.
À noite, houve confusão em uma delegacia onde estavam familiares de camelôs detidos. Policiais teriam identificado, entre eles, um homem que teria participado dos conflitos, à tarde. Ele foi detido depois de um tumulto entre policiais e familiares. Um PM também foi detido por abuso de autoridade.
Hoje, 130 guardas municipais estão ocupando diversas ruas do Centro do Rio para evitar o comércio irregular. Desse total, 35 vão ficar ao longo da Avenida Rio Branco. Um contigente da Polícia Militar presta apoio à ação.
Com opinião contrária ao do aposentado, parte da população apóia a operação organizada pelo Departamento de Fiscalização e Controle Urbano (DFCU) da Prefeitura em conjunto com a Guarda Municipal e com apoio da PM.
O cenário de ruas livres de camelôs chamou a atenção hoje dos pedestres que, diariamente, disputam espaço com as bancas do comércio ambulante para trafegar pelas ruas do Centro.
O advogado Durval de Oliveira Filho, de 49 anos, elogiou a ação. "É ótimo, uma maravilha conseguir andar pelo Centro. Isso é um passo para a ordem pública, uma demonstração de coesão e continuidade", disse.
O funcionário público Carlos Max, de 46 anos, que trabalha há 15 anos no Centro, engrossa o coro. "Acredito que se mantiver a repressão com coesão, haverá tranqüilidade. O que não pode é ocorrer uma batalha campal, como assistimos sempre. O camelô argumenta que está trabalhando, mas o trabalho dele também desemprega", frisou.
JB Online