A novidade foi descoberta acidentalmente há mais de dois anos, quando um cirurgião fazia uma operação de rotina para aliviar as dores de uma mulher. O procedimento consiste na inserção de dois eletrodos na espinha e a estimulação com pequenos impulsos de eletricidade. Os pacientes ficam conscientes durante toda a operação para poder dizer se a dor diminui.
No caso citado, a mulher teve um orgasmo espontâneo, o que despertou no médico, o especialista em dor Stuart Meloy, a idéia de desenvolver o método para dar prazer às mulheres. Ele descobriu que o aparelho funcionava tão bem com mulheres que sofriam de problemas sexuais crônicos que ele o patenteou como possível tratamento para disfunção sexual feminina.
Meloy recebeu agora a aprovação da FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de alimentos e remédios nos Estados Unidos, para testar o aparelho de US$ 13 mil e do tamanho de um marca-passo. No primeiro estágio do teste, fios conectados a uma bateria são inseridos na pele e na medula espinhal da mulher, um procedimento que Meloy diz não trazer mais riscos que uma anestesia peridural.
Na segunda fase, o equipamento é implantado embaixo da pele da paciente e pode ser ligado ou desligado por controle remoto. Até agora só uma mulher completou o primeiro estágio do teste e outra está prestes a ingressar. São necessárias outras nove voluntárias.
"Eu pensei que as pessoas fossem derrubar a minha porta para fazer parte do teste", disse Meloy, desapontado, à New Scientist. "Mas até agora sou eu que estou batalhando para encontrar as pessoas", continuou.
A invenção de Meloy tem enfrentado a hostilidade de alguns terapeutas sexuais, que dizem que a disfunção sexual feminina é normalmente causada por fatores psicológicos e indicam métodos "não-invasivos", como o vibrador, para atingir o orgasmo.
AFP