Estudo: antidepressivo pode aumentar longevidade

Segunda, 26 de novembro de 2007, 09h41


Pesquisadores nos Estados Unidos analisaram os efeitos de um medicamento antidepressivo na duração de vida de um grupo de vermes e concluíram que o remédio pode aumentar a expectativa de vida em humanos.

No estudo publicado na revista Nature, cientistas do Centro de Pesquisa para o Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, expuseram nematódeos a 88 mil tipos de substâncias químicas. O antidepressivo mianserina mostrou que é capaz de estender a expectativa de vida em quase 30%.

Segundo os cientistas, o medicamento parece reproduzir no organismo os efeitos do único mecanismo capaz de aumentar a vida de um animal - a fome.

Por razões ainda não totalmente compreendidas, deixar um organismo vivendo apenas da mínima quantidade de calorias necessárias para sua sobrevivência aumenta a longevidade. Os cientistas estão tentando entender os motivos pelos quais a mianserina imita os efeitos da fome no cérebro.

Genes

Para Linda Buck, uma das autoras da pesquisa em Seattle, é possível que o medicamento tenha interferido no equilíbrio entre duas substâncias químicas cerebrais que ajudam o nematódeo a decidir se existe alimento suficiente para justificar a deposição de ovos.

"Isso pode produzir um estado de fome perceptível, mas não real", afirmou. Segundo Buck, a descoberta de uma droga que aumenta a longevidade nos nematódeos pode levar à revelação de genes nos seres humanos que poderiam ser manipulados para se obter o mesmo efeito.

"Poderá ser possível identificar novos genes que atuem no processo de envelhecimento. Além disso, também poderemos ter a chance de encontrar medicamentos mais apropriados para o teste em mamíferos", afirmou a pesquisadora.

O organismo dos nematódeos se assemelham ao do homem em muitos aspectos, possuindo um sistema nervoso central e órgãos sexuais. Como a vida média desses animais é de algumas semanas, eles são preferidos para estudos sobre longevidade.

BBC Brasil
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Terra - Brasil
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