Maria Clara Cabral
Direto de Brasília
» Senado: Calheiros renova licença
» Tião: dane-se quem especula futuro
» Virgílio adia relatório sobre Calheiros
A intenção de Calheiros é ser julgado pela terceira representação - a que julga se ele usou laranjas para comprar emissoras de rádios em Alagoas - no Plenário da Casa antes de decidir se volta para o cargo.
Em princípio, o processo deveria ser julgado nesta semana, mas devido a manobra do PSDB, a votação teve de ser adiada. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), comunicou na tarde de segunda que não vai apresentar essa semana o relatório sobre o pedido de cassação de Calheiros na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Com isso, a votação do processo de perda de mandato não deve ocorrer no Plenário na quinta-feira, como era previsto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer na manhã desta quarta-feira que o PMDB deve escolher o sucessor de Calheiros, presidente licenciado da Casa, se Calheiros renunciar. Segundo Lula, esse é um "direito do PMDB". Ele afirmou, porém, que não vai interferir nas decisões do Senado.
Hoje pela manhã, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), classificou de "delírio paranóico" as especulações em torno da possível volta ao cargo de Calheiros. "Se alguém estiver aborrecido com o bom cumprimento do regimento, como se diz popularmente, dane-se", disse Tião Viana ao chegar ao Senado.
Confira na íntegra a nota de Calheiros:
Desde o primeiro momento tenho adotado a postura de não interferir no processo, de modo que acatarei, com toda serenidade, o cronograma de tramitação que for estabelecido pela Mesa.
Por isso decidi permanecer licenciado da Presidência do Senado Federal até a data de 29 de dezembro deste ano.
Desta forma, fica claro que qualquer outra discussão a respeito da agenda legislativa do Senado, incluindo a CPMF, é questão exclusiva das lideranças partidárias, do governo e da oposição.
Senador Renan Calheiros.