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Chávez recusa-se a falar com a Espanha sem desculpas do rei

Terça, 20 de novembro de 2007, 14h21
Hugo Chávez fala em entrevista coletiva em Paris
Hugo Chávez fala em entrevista coletiva em Paris
20 de novembro de 2007
AP

Lúcia Jardim
Direto de Paris


Numa entrevista coletiva marcada pela desorganização e por um atraso de mais de uma hora, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse, em Paris, que não aceitaria qualquer diálogo com o governo espanhol se antes o rei Juan Carlos não pedir desculpas por tê-lo mandado calar-se, durante a XVII Cúpula Ibero-americana, no Chile.

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Segundo Chávez, o governo espanhol teria entrado em contato com ele para que ambos os países redigissem um "comunicado comum" para esclarecer o acontecimento, mas o presidente venezuelano teria recusado a proposta. "A sorte foi que eu não ouvi a ordem do rei para que se calasse. Deus é sábio no que faz", afirmou Chávez para uma platéia de jornalistas do mundo todo.

O líder venezuelano esteve em Paris para se encontrar com o colega francês, Nicolas Sarkozy, e tratar sobre possíveis soluções para o seqüestro da franco-colombiana Ingrid Betancourt, detida pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há mais de quatro anos.

Depois de criar expectativa de que traria a Sarkozy e à família de Ingrid uma prova de vida da ex-senadora, Chávez levou aos franceses apenas a promessa de que até o final do ano poderá apresentar a tal prova. "O caminho está aberto e eu estou pronto para ir pessoalmente negociar com os líderes das Farc. Já recebi deles a promessa de que até o fim do ano teremos uma prova de vida de Ingrid Betancourt e de outros reféns", afirmou Chávez.

Ele diz contar com o apoio formal do governo colombiano para que seja um mediador entre a organização de extrema-esquerda e o poder. "O próprio presidente Álvaro Uribe me fez este pedido e me assegurou que ele também poderia ir pessoalmente, junto comigo, para tentarmos chegar a um acordo, pois este conflito não afeta apenas a Colômbia. Afeta também a Venezuela e toda a América Latina", prosseguiu o venezuelano.

Chávez ainda falou sobre a união da América Latina em torno de um bloco comum e a possível adoção, no futuro, de uma moeda única na América Latina, em substituição ao dólar para as transações comerciais de exportação e importação entre os países.

"Teremos uma moeda forte. É um projeto latino-americano ter uma moeda única." Sobre o encontro com Sarkozy, Chávez se demonstrou satisfeito e disse que "nasce uma relação de amizade" entre ambos. "O apoio dele é muito importante para relaxarmos os pontos mais difíceis da negociação, e nós discutimos diversas possibilidades para agir daqui para a frente", contou Chávez, sem especificar que formas seriam estas.

Os filhos, o marido e o ex-marido de Ingrid Betancourt estavam presentes na coletiva de imprensa e, antes disso, haviam se encontrado com os dois presidentes, o venezuelano e o francês, para discutir a questão do seqüestro.

Mélanie Déloye, filha de Ingrid, disse que se sente mais tranqüila pelo engajamento dos dois líderes de governo. "Não era exatamente o que esperávamos, já que ele não trouxe uma prova de vida, mas já fico mais tranqüila e confiante no futuro. Continuamos na expectativa de uma solução em breve para este pesadelo", declarou Mélanie.

Redação Terra
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Terra - Brasil
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