Estudo britânico afirma que crustáceos sentem dor

Quinta, 8 de novembro de 2007, 12h18


Contrariamente ao que pesquisadores pensavam, camarões e outros crustáceos sentem dor, indica um estudo científico britânico. Há dois anos, pesquisadores noruegueses chegaram à conclusão de que isto seria impossível, pois os sistemas nervosos dos crustáceos não eram complexos o suficiente.

No entanto, uma pesquisa publicada na última edição da revista New Scientist, contraria estas conclusões e afirma que estes animais também sentem dor. Um grupo de cientistas liderado por Robert Elwood, especialista em comportamento animal da Queen's University de Belfast (na Irlanda do Norte), jogou ácido acético (do vinagre) em parte das antenas de 144 camarões.

Imediatamente, as criaturas começaram a esfregar as antenas afetadas, mas não as demais, o que, segundo Elwood, "é consistente com a interpretação da experiência de dor". Os cientistas consideram que lagostas, caranguejos e outros crustáceos compartilham com toda probabilidade desta sensibilidade a dor.

Segundo Elwood, o fato de sentir dor é crucial inclusive para os animais mais primitivos, pois permite que mudem de comportamento após uma experiência negativa e aumenta suas chances de sobrevivência.

Outros pesquisadores, no entanto, não concordam com o resultado da pesquisa. Lynne Sneddon, da Universidade de Liverpool, diz que a resposta observada nos camarões pode significar simplesmente que o crustáceo tentava limpar as antenas, e não que sentisse dor.

Segundo Richard Chapman, da Universidade de Utah (Salt Lake City, Estados Unidos), a maioria dos animais possui receptores que respondem a substâncias irritantes. "Até mesmo um organismo unicelular pode detectar uma substância ameaçadora e retroceder. Mas isso não significa que sinta dor", afirma.

EFE
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Terra - Brasil
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