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Ondas do mar são a nova aposta para gerar energia

Quinta, 8 de novembro de 2007, 11h56


A Dinamarca gera um quinto de sua eletricidade com energia eólica, a Alemanha é líder mundial na tecnologia de energia solar e a Islândia usa energia geotérmica para aquecer muitas de suas casas. Será que o Reino Unido será capaz de se equiparar às realizações de seus vizinhos no que tange à energia renovável por meio do aproveitamento da força das marés nas águas que cercam o país?

O poder do mar é a mais recente forma de energia com emissão zero, e vem atraindo a atenção de investidores e governos; em Portugal e na Austrália, há projetos em construção para explorar a energia das marés.

Mas as ilhas britânicas se tornaram uma das localizações privilegiadas para testar máquinas que convertem o movimento do oceano em eletricidade. Em todo o país, empresas pioneiras e governos locais entusiásticos estão alardeando a força das ondas como maneira de aumentar a disponibilidade de energia renovável e criar pólos de inovação tecnológica.

No extremo norte da Escócia, as autoridades estão financiando um centro de testes em uma das remotas ilhas Orkney, e dedicando milhões de libras ao financiamento de projetos como o Pelamis. O aparelho, produzido pela Pelamis Wave Power, uma empresa escocesa, se assemelha a uma gigantesca serpente marinha. Quando as ondas se movem, os diversos segmentos do aparato também se movem, e isso aciona um gerador que produz eletricidade.

Na Cornualha, a ponta sudoeste da Inglaterra, autoridades regionais estão ajudando a financiar a instalação de um cabo subaquático que conectará a rede de energia na costa a uma imensa "tomada" elétrica localizada no leito do mar, a cerca de 16 km de distância.

Quando a "tomada" for completada, em 2009, quatro empresas que exploram a energia das ondas, entre as quais a Pelamis, receberão áreas marinhas determinadas para instalar seus aparelhos e conectá-los ao chamado Centro de Ondas. A iniciativa pode resultar em geração de energia limpa da ordem de 20 megawatts, o bastante para abastecer 7,5 mil moradias.

Isso representaria um significativo passo à frente para essa tecnologia em um momento no qual, segundo os analistas, a única empresa de energia marinha do mundo que vem fornecendo eletricidade regularmente a uma distribuidora de energia se localiza na ilha de Islay, ao largo da Escócia. Lá, um aparelho operado pela Wavegen, parte de uma joint venture criada pela Siemens e Voight, gera energia suficiente para cerca de 300 residências, com um aparelho preso a rochas localizadas bem perto da costa.

Os empresários da energia marinha afirmam que suas tecnologias têm uma vantagem essencial sobre o uso da energia eólica: a estética. A maioria dos aparelhos que capturam a energia das marés têm altura de no máximo alguns metros, ante as torres de mais de 90 metros de altura que os mais recentes sistemas de geração de energia eólica requerem.

"Os governos favorecem muito as tecnologias que não dêem tanto na vista", disse David Weaver, presidente-executivo da Oceanlinx, uma empresa australiana que pretende instalar seu aparelho no Centro de Ondas da Cornualha.

Muitos dos aparelhos de geração de energia marinha também são menos agressivos para com os animais do que as torres eólicas, disse Weaver, porque não estão equipados com lâminas capazes de matar pássaros. Em lugar disso, aparelhos como o desenvolvido por sua empresa empregam uma câmara parcialmente submersa que captura as ondas, o que comprime o ar no interior do dispositivo e aciona uma turbina geradora de eletricidade.

"Um golfinho poderia entrar no aparelho, nadar lá dentro por alguns instantes e sair sem sofrer danos", afirma Weaver. Existe oposição ao poder das marés, no entanto, especialmente da parte dos surfistas, que se preocupam com a possibilidade de que os aparelhos de exploração do poder das ondas instalados na Cornualha reduzam a freqüência ou altura das ondas que chegam a algumas das mais belas praias do país.

Mas a publicação, este ano, de um estudo independente redigido por um oceanógrafo que pratica o surfe parece ter aliviado essas preocupações. As constatações sugerem "pouco ou nenhum impacto sobre o surfe", disse Dave Foster, porta-voz da Associação dos Surfistas Britânicos.

Mesmo assim, ele pede por "fiscalização cuidadosa dos efeitos, tanto antes quanto depois da instalação". Um dos principais obstáculos restantes à energia marinha é onde obter ainda mais dinheiro para o desenvolvimento dos projetos. "O setor precisa de uma grande empresa, ou de alguém com muito capital, a fim de acelerar a comercialização", disse Tom Thorpe, que dirige a Oxford Oceanics, uma consultoria sobre energia marinha.

Mas o maior obstáculo à energia das marés pode estar menos na construção dos aparelhos do que em mantê-los funcionando sob as condições ferozes que prevalecem nos mares.

Ken Bruder, diretor executivo da New Energy Finance, uma consultoria em Londres, alega ver grande potencial na energia marinha, devido à relativa previsibilidade dos movimentos oceânicos, se comparada à dos ventos que acionam as turbinas eólicas. Mas ele advertiu que a manutenção poderia se transformar no calcanhar de Aquiles do setor, como foi o caso para algumas empresas que instalaram turbinas eólicas no mar.

Em lugar de competir com a energia eólica vento, disse Bruder, as empresas de energia marinha talvez venham a compartilhar locais e plataformas, a fim de economizar dinheiro no dispendioso e demorado processo de manutenção. "Os operadores de energia eólica e marinha jamais sabem que ferramentas serão necessárias quando algo dá errado no mar, e todas aquelas viagens de barco custam caro", disse Bruder. "Portanto, é lógico que os setores de energia eólica e marinha colaborem".

Tradução: Paulo Migliacci ME

Herald Tribune
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Terra - Brasil
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