Candidato publicou anúncio em página de sexo de classificados |
Ana Manfrinatto
Direto de Buenos Aires
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O objetivo é alavancar sua posição na corrida ao pleito do próximo dia 28, quando os argentinos elegerão presidente, senadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, dentre outros cargos. No quesito criatividade, Leonaldo Salvini, aspirante a prefeito da cidade de Godoy Cruz, localizada no Estado de Mendoza, região argentina famosa por suas vinícolas, tem chamado atenção. O desconhecido candidato da chapa União Cívica Radical (UCR) encontrou uma maneira pouco ortodoxa para tornar-se conhecido: começou a publicar suas promessas nos classificados de um jornal local, mais especificamente na seção "saunas", onde garotas de programa anunciam seus serviços.
"Candidato se oferece. Só para a prefeitura de Godoy Cruz. Jovem. Masculino. Agradável. Momentos únicos. Higiênico. Domingo 28. Leo Salvini. UCR. Lista 3. Você se anima?", diz o anúncio do candidato, que se perde entre diversas ofertas de serviços íntimos nos classificados do jornal. Logo acima, há anúncio similar que diz "morena madurinha e carinhosa" e, abaixo, um que promove uma "ex-Playboy com carinha de anjo".
Para Salvini, a publicação do anúncio é uma maneira eficaz de fazer com que os recursos financeiros da campanha rendam. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o candidato explicou que sua estratégia de marketing foi embasada no conceito de "novidade", e aproveitou para fazer uma acusação direta ao governo. "Não temos os mesmos recursos que os oficialistas têm, estamos cerceados pelos meios de comunicação", disse.
Sua iniciativa, no entanto, não foi muito bem recebida em alguns setores do seu próprio partido, que opinam que siglas históricas como a da UCR não deveriam estar mescladas com uma atividade como a prostituição.
Tanta rigidez não fez com que Salvini mudasse de idéia. Ele diz que o anúncio é "um jogo de palavras, um estratagema publicitário para atingir as pessoas de maneria atípica e simpática". O candidato é filho de um membro da corte suprema de Mendoza, e alegou que o seu tom de fanfarrão é hereditário. "Meu pai é dotado de um excelente humor e também tem muita vontade de trabalhar na prefeitura para a qual eu estou me candidatando", disse Salvini.
Sorteio de carros
Alejandro Pérez é candidato a prefeito da cidade de Ushuaia (a mais austral do planeta) e prometeu sortear dois carros zero quilômetros entre o seu eleitorado caso vença as eleições. Quem quiser participar do sorteio têm que ligar para um número telefônico e escutar a mensagem até o final.
Para selar seu compromisso, o candidato já adquiriu dois Volkswagen Gol que estão expostos em uma loja de Ushuaia, com laços de fita azul e cartazes que dizem "reservado 126", o número que indica a legenda do Movimiento Social Unido, MSU. Pérez já recebeu um grande número de ligações de participantes do sorteio, assim como uma saraivada de críticas que o acusam diretamente de subornar o eleitorado.
O candidato se defendeu das acusações dizendo que seu partido é incipiente e sem aparato político, além de não contar com dinheiro suficiente para competir com as forças majoritárias. Longe de desistir do seu projeto, Pérez também assegurou que seria ainda pior se ele manipulasse o voto eletrônico.
Mas Pérez não é o único que oferece bens em troca de votos. Numa versão mais modesta, um candidato a vereador de Nonogasta (cidade de 10 mil habitantes do estado de La Rioja, norte argentino) presenteia seus vizinhos com galinhas em plena corrida eleitoral. Adrián Olmeño, no entanto, nega que a entrega de aves esteja vinculada à campanha.
"Há dez anos eu faço isso, não é nenhuma novidade", afirmou o candidato do partido Frente do Povo. Em entrevista a uma rádio local, Olmeño se defendeu das acusações de clientelismo dizendo que a distribuição de galinhas se trata de "um gesto de humildade, já que eu não estou comprometendo as pessoas para que votem em mim".
A advogada argentina Carla Iermini afirma que é bastante complicado analisar os métodos de campanha de Alejando Pérez e Adrián Olmeño. "Segundo a lei eleitoral vigente no país, o fato desses candidatos não serem funcionários públicos em exercício de função faz com que eles não sejam penalizados pela lei de ética pública. Ou seja, não configura delito", afirmou. "No entanto, oferecer galinhas ou qualquer outro tipo de bens em troca de votos me parece uma atitude sórdida do ponto de vista ético, uma vez que esses senhores estão induzindo as pessoas e aproveitando-se das suas necessidades para angariar votos", disse Iermini.