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Crise em casamento ameaça imagem de Sarkozy

Segunda, 15 de outubro de 2007, 18h00

Stefan Simons


Há rumores de que o presidente francês Nicolas Sarkozy e sua mulher Cecilia estão à beira do divórcio. Caso confirmada, a informação colocaria fim às tentativas do presidente de criar uma imagem de harmonia doméstica em busca de vantagens domésticas.

Cecilia Sarkozy é o único tópico que evoca declarações de amor dedicado e admissões de vulnerabilidade de parte do presidente francês, homem usualmente áspero. "Ela é minha força e meu calcanhar de Aquiles a um só tempo", admitiu Sarkozy no final de 2003, muito antes de assumir a presidência.

Até o segundo trimestre deste ano, ele estava convencido de que os eleitores se encantariam com sua mulher. "Se vocês amavam Jacqueline Kennedy, amarão Cecilia Sarkozy". Mas, alguns meses depois, essa confiança parecia ter desaparecido. "Em última análise, minha única preocupação verdadeira é Cecilia".

Por semanas, vinham crescendo os sinais de que o casal presidencial estaria a caminho da separação. Não existia outra explicação plausível para a ausência constante de Cecilia na vida pública. Comparado a Cecilia Sarkozy, Joachim Sauer, o marido da chanceler (primeira-ministra) alemã Ângela Merkel, famoso por sua aversão a aparições públicas, parece o mais constante dos companheiros.

Os astrólogos que estudam a presidência da França datam a última aparição conjunta do casal de 14 de julho. Semanas antes, a partida abrupta de Cecilia da conferência de cúpula do G8 em Heiligendamm causou sensação. Houve até mesmo um pequeno incidente diplomático em agosto, quando ela decidiu que não participaria de um piquenique organizado pelo presidente americano, George W. Bush, durante suas férias de verão em Kennebunkport. O motivo alegado por ela foi uma súbita dor de garganta. Na semana passada, Cecilia vôou a Genebra, onde se hospedou em um hotel elegante, e de lá foi a Londres.

Os jornais franceses há muito mantêm preparadas as manchetes sobre a sensacional separação. No entanto, eles hesitam em anunciar o final do casamento antes que o palácio presidencial divulgue uma confirmação oficial.

Na sexta-feira, o L'Est Républicain foi o primeiro jornal a veicular a sensacional notícia do que definiu como "separação e divórcio iminentes". O grande diário regional reportou que Cecilia havia concordado em contar sua versão da história a uma revista semanal. A coleção de fotos que acompanhará seu depoimento está supostamente pronta para ser rodada.

O desfecho estava previsto há muito. Nicolas Sarkozy não é o primeiro político a tentar - e falhar - em promover uma imagem de felicidade conjugal via mídia. "Juntos galgaremos as escadarias do poder", Sarkozy um dia prometeu à mulher, mas a cada degrau que subiam as diferenças entre o ambicioso político e sua mulher, conhecida pela autoconfiança, aumentavam.

Quando Sarkozy era prefeito de Neuilly, uma cidade no subúrbio de Paris, casar com a ex-modelo lhe propiciou um perfil social atraente. Os contatos de Cecilia serviram para abrir a ele as portas alta sociedade parisiense, e o jovem astro em ascensão da ala política conservadora promoveu efetivamente sua carreira ao sempre ostentar diante das câmeras sua suposta felicidade doméstica. Os muitos amigos de Sarkozy na mídia garantiam que a história fosse contada de maneira atraente, mostrando sempre o lado mais atraente do casal.

Enquanto Sarkozy subia até conquistar o posto de ministro do Interior, ministro das Finanças e líder de seu partido, Cecilia teve papel mais importante que o de uma simples mulher de político. Sarkozy sempre a definiu como sua "mais próxima assessora", e não se cansava de elogiá-la publicamente. A imagem de casal perfeito persistiu até agosto de 2005, quando Cecilia e seu amante, o organizador de eventos Richard Attias, tiveram sua foto publicada na capa da revista Paris Match, um furo de reportagem que custou o emprego do editor chefe.

Na metade de 2006, os dois anunciaram oficialmente uma reconciliação. Estavam juntos de novo bem em tempo para o início da campanha presidencial e a imprensa exibia imagens do candidato conservador em harmonia doméstica com sua mulher e filhos.

Depois da vitória eleitoral de 6 de maio, o governo se esforçou por projetar uma imagem que se adequasse às políticas que Sarkozy defendia para o país. A vida na complicada família do presidente - cinco filhos de três casamentos diferentes - supostamente deveria sugerir que Sarkozy era um homem do povo.

Cecilia aparentemente jamais se satisfez com o papel que lhe foi designado, o de emprestar alguma elegância à turbulenta presidência do marido, agindo como patrona de organizações de caridade ou atendendo aos fãs que lhes enviam centenas de cartas ao mês. "Organizar jantares oficiais e usar roupas Dior e Saint Laurent não era de forma alguma o bastante para ela", confidenciou uma amiga de Cecilia, Isabelle Balkany.

Recentemente, em sua primeira missão diplomática, ela causou controvérsia instantânea. Como "emissária pessoal" de Sarkozy, ela convenceu o ditador líbio Moammar Khadaffi a libertar cinco enfermeiras búlgaras, aparentemente em troca de um contrato militar no valor de milhões. Ela foi elogiada na capital búlgara, Sófia, pelo sucesso de sua iniciativa, mas o Partido Socialista, principal força de oposição francesa, criticou suas ações e forçou a constituição de um comitê parlamentar para investigar as ações da primeira dama, a partir desta semana.

Talvez Sarkozy devesse ter percebido os sinais sutis que sua mulher já havia começado a lançar muito tempo atrás. Perguntado, em entrevista de março de 2005, se conseguia se imaginar como primeira dama, Cecilia disse a idéia a "entediava mortalmente".

Der Spiegel
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
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