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Cidade russa cria feriado para incentivar procriação

Quarta, 12 de setembro de 2007, 12h48


Os habitantes da cidade de Ulyanovsk, capital da região russa de mesmo nome situada no curso central do rio Volga, aproveitarão hoje o feriado que foi decretado pelo governador local, Serguei Morozov, só para que a taxa de natalidade regional aumente.

"Dia da comunicação familiar" é o nome oficial da data que, a partir deste ano, será comemorada a cada 12 de setembro em Ulyanovsk. Porém, os habitantes da localidade já a batizaram de "Dia da fecundação".

O feriado coincide com o começo da tradicional campanha "Dê à luz um patriota no Dia da Rússia", que premiará com um carro 4x4 uma das famílias que tiverem um filho em 12 de junho, dia do país, também decretado a partir de uma iniciativa de Morozov, 48 anos, apresentada em 2005.

O governador, que considera os problemas demográficos uma de suas grandes prioridades, disponibiliza a ida de médicos a localidades da região para dar informações e convencer as mulheres da necessidade de elas terem filhos.

Apesar dos risos de políticos e de comentários irônicos da imprensa, com a iniciativa de Morozov - um ex-chefe da polícia local, -, a região de Ulyanovsk registrou um número recorde de nascimentos em 12 de junho deste ano: 78.

A preocupação do governador em melhorar a situação demográfica da localidade também gerou críticas.

"A que ponto chegamos. Agora o governador nos diz até o dia em que vamos conceber nossos filhos e quando eles devem nascer", reclamou Aleksandr Braguin, ativista de uma organização de defesa dos direitos humanos, ao jornal Novye Izvestia.

Segundo Braguin, a iniciativa de Morozov não é mais que uma propaganda que evita a busca de soluções reais para o problema da crise demográfica que a Rússia atravessa.

Mas Morozov não esmorece diante das críticas. Ele já implantou outras atitudes polêmicas, como um exame obrigatório de russo para todos os servidores públicos e o lançamento de uma campanha para recuperar a letra "ë", cada vez menos utilizada na língua escrita.

"Meu objetivo é restabelecer a imagem positiva da região, devolver às pessoas a segurança que tinham na era soviética, pois muitos começaram a esquecê-la", declarou o governador numa entrevista ao jornal oficial russo Rossiiskaya Gazeta.

A porta-voz da Prefeitura de Ulianovsk, Maria Uglach, declarou em entrevista que o "Dia da comunicação familiar" teve uma ampla aceitação, principalmente nas famílias jovens.

"Com o tempo, esta iniciativa levantará vôo e talvez nos transformemos em um exemplo para outras regiões do país", acrescentou.

A região de Ulyanovsk, que abrange ambas as margens do rio Volga, tem uma superfície de 37 mil quilômetros quadrados - do tamanho da Bélgica - e 1,4 milhão de habitantes, que representam quase 1% do total da população do país.

De acordo com os dados das autoridades regionais, a situação demográfica em Ulyanovsk melhorou no último ano. A taxa de natalidade cresceu 1,2%, e o número de abortos - uma prática legal na Rússia - diminuiu.

No entanto, Ulianovsk não é uma exceção. Segundo declarações feitas na semana passada pelo primeiro vice-premier da Rússia, Dmitri Medvedev, o país tem registrado números recordes de nascimento desde o fim da União Soviética, em 1991.

"De janeiro a junho, nasceram 142 mil bebês. Este é o maior número nos 15 anos transcorridos desde a desintegração da URSS", disse Medvedev em reunião do presidente da Rússia, Vladimir Putin, com membros do governo.

Segundo as previsões oficiais, a população do país, atualmente de 142 milhões de habitantes, se estabilizará em 2015 e experimentará um aumento de três milhões nos próximos dez anos.

Segundo o presidente do Conselho da Federação (Senado) russa, Serguei Mironov, o objetivo, a longo prazo, é aumentar a população do país até 250 ou 300 milhões de habitantes.

"Se não fizermos nada no âmbito demográfico, a Rússia pode chegar a 2080 com 52 milhões de habitantes. E não é preciso ser um grande especialista em geopolítica para saber que, com uma população dessa, não é possível manter um país com um território tão extenso e tão rico", disse o líder do Senado.

EFE
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Terra - Brasil
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