Estudo americano liga cirurgia plástica ao suicídio

Quinta, 16 de agosto de 2007, 15h15


Na primeira temporada da série de TV Nip/Tuck, dois cirurgiões plásticos chamados Dr. Sean McNamara e Dr. Christian Troy contratam um psicólogo para sua clínica, com o objetivo de determinar se os pacientes estão capacitados psicologicamente a passar por cirurgias cosméticas. Em um episódio, o psicólogo nega tratamento a um paciente severamente deprimido, que mais tarde comete suicídio.

Na vida real, embora cirurgiões plásticos ocasionalmente encaminhem pacientes para aconselhamento, eles tipicamente não dispõem de psicólogos em suas equipes clínicas. Mas novas pesquisas podem estimular os médicos a considerar a hipótese.

Um estudo publicado este mês na revista Annals of Plastic Surgery sugeriu que entre as mulheres que receberam implantes cosméticos de seio, o índice de suicídio era três vezes maior do que a média, e o mesmo se aplica a mortes relacionadas ao abuso de álcool ou substâncias tóxicas, se comparados à norma entre as mulheres que não têm implantes. O estudo, que examina as causas de morte entre 3.257 mulheres suecas que realizaram implantes de seios entre 1965 e 1993, não sugere que a cirurgia plástica em si aumenta a probabilidade de suicídio.

"Não existem indícios de que, se a pessoa receber implantes, o risco de suicídio aumenta, para ela", disse o Dr. Foad Nahai, cirurgião plástico em Atlanta e presidente da Sociedade Norte-Americana de Cirurgia Plástica Estética. Mas Joseph McLaughlin, professor de Medicina na Escola de Medicina da Universidade Vanderbilt, afirma que as conclusões sugerem que um subconjunto ponderável de mulheres que optam por fazer implantes de seio pode sofrer de distúrbios psicológicos.

"Uma porcentagem desconhecida das mulheres que realizam implantes cosméticos de seio sofrem de distúrbios psicológicos pré-existentes", afirma McLaughlin, um dos autores do estudo. "Temos de descobrir quem se são essas pessoas, e se existe um denominador comum". Em uma época na qual mais de 300 mil mulheres norte-americanas passam por implantes de seio a cada ano, os psicólogos dizem que o estudo suscita questões sobre a possível necessidade de avaliação psicológica dos pacientes.

"Não seria justificável submeter todos os pacientes de cirurgia plástica a avaliação psicológica", disse David Sarwer, professor associado de Psicologia Psiquiátrica na Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, que escreveu o comentário que acompanha o estudo. "Mas o trabalho sugere que os cirurgiões plásticos precisam obter uma avaliação psiquiátrica completa de seus pacientes". Nahai, que disse que muitos de seus pacientes usam remédios para melhorar o ânimo, como o Prozac, concordou.

"A mensagem aos médicos em atividade é a de que eles podem estar lidando com um grupo de pacientes de risco elevado", disse Nahai, que acrescentou que os cirurgiões plásticos costumam perguntar aos pacientes sobre seus históricos psiquiátricos. "É nossa responsabilidade verificar que a paciente seja uma pessoa estável, com expectativas realistas, e que deseje aumentar os seios pelos motivos certos".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI1834024-EI1827,00.html