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Professor transforma perua em ambulância em SP

Domingo, 8 de julho de 2007, 16h56
Joel Melo transformou uma perua numa ambulância que usa para socorrer pessoas que precisam de atendimento de emergência
Joel Melo transformou uma perua numa ambulância que usa para socorrer pessoas que precisam de atendimento de emergência
08 de julho de 2007
Chico Siqueira/Especial para Terra

Chico Siqueira
Direto de Araçatuba


O professor de educação física Joel Melo transformou uma perua Veraneio, ano 1980, numa ambulância que usa para socorrer pessoas que precisam de atendimento de emergência em Araçatuba, interior de São Paulo. Há 17 anos ele atende pessoas doentes sem cobrar nada.

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A ambulância, batizada de Platibanda (apelido de Joel), percorre as ruas da cidade como um símbolo de respeito e simpatia dos moradores. Dentro dela, há tudo como numa ambulância oficial: maca, cintos e equipamentos de primeiros socorros, como prancha, imobilizadores, coletes e faixas.

Durante este tempo, Melo transportou mulheres em trabalho de parto, vítimas de acidentes, crianças doentes e até buscou cadáveres a mais de 900 km de distância. Perdeu a conta de quantos atendimentos fez. "Teve época em que cheguei atender oito pacientes num dia", disse.

Dificilmente deixa de fazer quatro ou cinco atendimentos na semana. "Em época de seca, quando há muitos casos de bronquite, o movimento aumenta bastante", afirmou.

O perfil dos pacientes é quase sempre o mesmo. "As pessoas só recorrem a mim quando já esgotaram todas as tentativas de conseguir uma ambulância com o poder público", diz ele. "Geralmente são pessoas pobres que não possuem recursos para pagar uma ambulância particular ou que cansaram de enfrentar a demora causada pela burocracia", disse.

A costureira Aparecida de Fátima Sereia, que precisava levar uma amiga ao hospital, foi uma das pessoas levadas por Joel. "Demorei três dias tentando conseguir uma ambulância e não consegui", disse. A amiga, a aposentada Ermínia Francisca Ribeiro, estava de cama, com o fêmur quebrado, e precisava ir fazer radiografias no hospital.

"O Platibanda caiu do céu. Ele é um anjo", disse Ermínia, agora na cadeira de rodas. Nesta semana, Ermínia ainda vai usar o serviço de Platibanda por duas vezes.

Para fazer o trabalho voluntário, Melo, por muitas vezes, sacrifica a vida pessoal e profissional. "Quando o atendimento tem que ser urgente, largo o que estou fazendo para socorrer as pessoas. Já deixei aniversário e meu trabalho para prestar o socorro; um minuto na vida dessas pessoas, vale uma vida", disse.

Melo lembra com detalhes de atendimentos, como o de um acidente numa rodovia estadual. "Fui buscar um paciente em Mato Grosso do Sul e, quando voltava, me deparei com um acidente. Um motorista tinha morrido e outro, com o fêmur quebrado, via, sem pode fazer nada, um homem roubar os pertences dos dois carros", contou. Melo conseguiu chamar socorro pelo rádio e fazer os primeiros atendimentos no motorista.

Redação Terra
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Terra - Brasil
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