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Morte de soldados espanhóis no Líbano revolta autoridades

Segunda, 25 de junho de 2007, 10h48


A morte de seis capacetes azuis do contingente espanhol da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) na explosão de um carro-bomba no sul do país revoltou autoridades espanholas e libanesas.

Os soldados, entre eles três colombianos, morreram no domingo quando viajavam em um veículo BMR sem inibidor de freqüência, na explosão de um carro Renault Express carregado com 50 quilos de explosivos, com placa falsa e o número de chassi alterado.

O ministro da Defesa da Espanha, José Antonio Alonso, visitou hoje a base Cervantes do contingente espanhol no sul do país, perto do local do ataque contra o comboio da Finul.

Alonso afirmou não ter "nenhuma dúvida de que se tratou de um atentado terrorista".

O ministro explicou em entrevista coletiva que a manipulação do número do chassi pode significar que o carro procedia de "fora do Líbano".

Para o titular da Defesa, o ataque "busca desestabilizar o sul do Líbano e questionar a missão da Finul".

Nenhum grupo assumiu até agora a autoria do atentado, mas há rumores de que poderia ter sido causado pelo Hisbolá, o que foi questionado por Alonso.

"Não interessa ao Hisbolá cometer selvagerias destas características", afirmou.

Sobre as medidas de proteção nos veículos BMR da brigada espanhola postada no Líbano, Alonso admitiu que os blindados não usam inibidores, pois, segundo o chefe do Estado-Maior da Defesa espanhol, não havia o risco de ataques deste tipo, ao contrário do que ocorre no Afeganistão.

Em 7 de novembro do ano passado, o chefe do Estado-Maior ordenou que todos os veículos tivessem inibidores, mas a primeira entrega só foi feita no dia 30 de maio e os aparelhos foram instalados em veículos que atuam no Afeganistão.

Com relação aos dois feridos (ambos espanhóis), que estão fora de perigo no hospital de Sidon, as previsões são de que eles possam ser levados nas próximas horas à Espanha no Airbus no qual Alonso viajou.

Até o meio-dia tinham sido identificadas somente três das seis vítimas. Por isso, enquanto este processo "não for completado", o que deve acontecer às 18h ou 19h (12h ou 13h de Brasília), o vôo não será realizado.

Alonso explicou que "desde 4 de junho aumentaram os níveis de alerta no contingente", embora "não haja nem tenha havido ameaça específica".

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, afirmou ao ministro espanhol que colocou à disposição dos investigadores todos os meios para identificar e deter os autores do ataque.

A Finul e o Exército libanês reforçaram as medidas de segurança no sul do Líbano.

Nas imediações do local do atentado, na cidade de Khiam, a maioria das lojas permaneceu fechada e muitos de seus moradores não saíram das casas.

"Estamos inquietos. O atentado contra os capacetes azuis espanhóis pressagia algo muito ruim para a região", disse um morador à agência Efe.

Os capacetes azuis e o Exército libanês fazem revistas mais rigorosas em veículos, para verificar a identidade de seus ocupantes.

Além disso, as forças reforçaram suas patrulhas ao longo da fronteira do Líbano e Israel.

Um deputado do grupo xiita Hisbolá disse à agência Efe que o grupo considera o atentado "verdadeiramente infeliz", embora não tenha feita outros comentários a respeito.

O Governo libanês condenou hoje o atentado e o qualificou de "ato terrorista não só dirigido contra as forças da ONU, mas também contra o Líbano".

O ministro da Informação libanês, Ghazi Aridi, fez esta declaração ao término de uma reunião do Conselho de Ministros, presidida por Siniora.

Aridi disse que o Executivo libanês apresenta "os pêsames aos comandantes das forças espanholas e internacionais que trabalham no sul (do Líbano) e à ONU, ao Governo e ao povo espanhol".

Além disso, "a agressão contra os espanhóis está dirigida contra a estabilidade e segurança do Líbano, o Exército, as forças e resoluções internacionais, o Conselho de Segurança da ONU que aprovou a resolução 1.701 e os Estados que a votaram".

A resolução pôs fim aos 34 dias de hostilidades entre Israel e Hisbolá em julho e agosto do ano passado, nos quais morreram 1.200 pessoas.

"O Líbano não esquecerá o sangue dos mártires espanhóis e seu sacrifício se soma ao do Exército libanês, que faz um grande trabalho enfrentando as células e organizações terroristas", disse.

EFE
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Terra - Brasil
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