Notícias Mundo » Oriente Médio

Rice faz balanço do Oriente Médio um ano após guerra no Líbano

Domingo, 24 de junho de 2007, 23h55


A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, cada vez mais criticada nos EUA pela debilidade de sua atuação diplomática na fase final do segundo mandato do presidente George W. Bush, defendeu energicamente no sábado à noite, em Paris, seu balanço no Oriente Médio.

Ao ser questionada sobre sua visão do Oriente Médio, em entrevista coletiva com o novo ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, Rice se lançou em uma prolongada defesa de sua gestão.

Afirmando que "não me surpreende nada ver" os extremistas tentarem "estrangular" as tentativas democráticas na região, a secretária enumerou os países, nos quais os aliados de Washington são perseguidos por Síria e Irã, em uma tentativa de mostrar que seria "absolutamente falso dizer que eles (esses países) não ganharam nada".

No que diz respeito ao Líbano, o Exército libanês se estacionou no sul e está combatendo grupos extremistas nos campos palestinos pela primeira vez em décadas, disse Rice, acrescentando que os libaneses "ganharam muito".

No Iraque, "seria falso dizer que, com a queda de Saddam Hussein, um dos assassinos mais brutais do século XX, os iraquianos não ganharam nada", insistiu.

"E seria falso dizer que, para os palestinos, um homem que acredita na via adequada para conseguir a paz (...) não significa nada", completou, referindo-se ao presidente palestino, Mahmud Abbas, pró-Ocidente.

"Sim, é duro", exclamou, rejeitando o argumento de seus críticos, que alegam que o Oriente Médio era mais estável antes da intervenção militar americana no Iraque do que no presente.

"Que estabilidade?", perguntou. "Essa na qual Saddam Hussein lançou 300.000 pessoas nas fossas comuns? Isso era estabilidade? A estabilidade na qual as forças sírias tinham se implantado no Líbano? Isso era estabilidade?", rebateu.

"A estabilidade na qual Yasser Arafat rejeitou uma oportunidade para que os palestinos tivessem seu próprio Estado? Isso era estabilidade?", prosseguiu, referindo-se às negociações de paz de Camp David em 2000, sob a intermediação do então presidente dos EUA, Bill Clinton.

"A estabilidade que produziu a Al-Qaeda, que causou a morte de 3.000 pessoas em um bonito dia de setembro?", continuou, em alusão aos atentados do 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington.

"A estabilidade na qual ninguém falava de democracia no Oriente Médio, o que permitiu que as forças extremistas doentias fossem as únicas forças politicamente organizadas na região?", acrescentou Rice, que acredita que a difusão de idéias democráticas seja a melhor barreira contra o extremismo.

"Sim, é realmente duro (...) mas estou convencida de ver o triunfo desses valores, porque já vi acontecer", disse Rice, referindo-se à queda da União Soviética, em 1991.

AFP
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI1710122-EI308,00.html