A concentração, que segundo os organizadores atraiu 3 milhões de pessoas, foi convocada sob o lema: "Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia".
A marcha contou com 23 trios elétricos e teve apoio financeiro oficial pela primeira vez, incluindo patrocínio da Petrobras e da Caixa Econômica Federal.
"Queremos chamar a sociedade para discutir a questão do machismo, do racismo e da homofobia, tratando de expor que os GLBTs também são negros, mulheres e sofrem o dobro do preconceito", disse à Agência Brasil o presidente do desfile, Nelson Matias Pereira.
A ministra do Tursimo, Marta Suplicy, que já foi prefeita de São Paulo e sempre apoiou o evento, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, assim como o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, assistiram ao começo da manifestação para externar o apoio ao movimento e rechaçar qualquer tipo de discriminação.
"Este é o maior desfile do planeta. Nossa cidade está mostrando cada vez mais que respeita as diferenças", disse Suplicy, segundo a Agência Brasil.
Junto aos homosexuais, lésbicas, bisexuais, travestis e transexuais desfilaram famílias, artistas e turistas, que faziam questão de participar da já considerada maior festa da cidade.
"Não sou gay mas venho porque é muito divertido", disse à Reuters por telefone a vendedora de 25 anos Andrea Fernandes, acompanhada de um grupo de amigos.
Para o cabelereiro José Alves Filho, também presente no desfile, além da demonstração do orgulho de ser gay participar do evento é uma demonstração de cidadania.
"Venho todos os anos e tenho orgulho de desfilar. Aqui não tem violência, só alegria", declarou também por telefone à Reuters.
A primeira parada gay de São Paulo foi realizada em 1996 como uma forma de protesto contra a desigualdade das leis e da discriminação. O líder do mvimento, Nelson Matias Pereira, afirmou que o desfile deu visibilidade aos gays, desde então, e chamou a atenção para a questão, apesar de não ter conseguido ainda nada de concreto.
"Necessitamos lutar muito. Necessitamos conscientizar o Congresso e eleger parlamentares GLBT, para que possam colocar questões pertinentes na agenda do dia", finalizou Pereira.
(Por Julio Villaverde e Denise Luna)
Reuters