Os disparos de artilharia pesada, que pela manhã foram esporádicos, se acentuaram progressivamente. Dezenas de obuses caíram na zona norte do campo.
"Três de nossos soldados morreram e dez ficaram feridos nos disparos de membros do Fatah al-Islam", afirmou à AFP um porta-voz militar libanês.
Além disso, um soldado ferido na quinta-feira faleceu neste sábado.
Com estas vítimas chega a 109 o número de mortos nos combates desde 20 de maio, incluindo 50 militares libaneses.
Os soldados faleceram neste sábado em uma tentativa do Exército de avançar das margens do campo em direção às posições do Fatah al-Islam, cujos integrantes recuaram para o interior de Nahr al-Bared, segundo fontes militares.
O porta-voz do Fatah al-Islam, Chahin Chahin, afirmou que o Exército executou uma operação com artilharia em direção às posições do grupo, mas que a ação foi contida.
Na sexta-feira, ulemás palestinos e libaneses entraram em Nahr al-Bared para tentar uma mediação com o Fatah al-Islam, mas só conseguiram se reunir com o porta-voz do grupo e não com os principais líderes.
Desde o início dos combates, o Exército e o governo do Líbano exigem a rendição dos extremistas islâmicos, que não aceitam se entregar.
O Exército libanês afirma não querer entrar no campo de Nahr al-Bared por causa da presença dos refugiados palestinos. Quase 4.000, de um total de 31.000 residentes no campo antes dos combates, permanecem no local em condições difíceis.
Além dos combates, os piores desde o fim da guerra civil (1975-1990), o Líbano enfrenta uma grave crise política e institucional.
O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, convidou as forças políticas libanesas a uma reunião informal, que pode acontecer em Paris no fim do mês, para restabelecer o diálogo entre a maioria parlamentar, apoiada pelo Ocidente, e a oposição, ligada ao Irã e Síria.
A crise política foi provocada pela demissão dos ministros xiitas do governo e tem como pano de fundo a criação pela ONU de um tribunal internacional que julgará os assassinos do ex-premier libanês Rafic Hariri.
A Síria foi apontada como responsável pelo assassinato de Hariri.
O tribunal deve entrar em vigor no domingo, mas sua existência não terá valor enquanto não for fixada sua sede nem forem divulgados os primeiros indiciamentos.
AFP