Notícias Brasil » Polícia

Operação contra quadrilhas prende 77 em 6 Estados

Segunda, 4 de junho de 2007, 10h25

Graciliano Rocha
Direto de Mato Grosso do Sul


A Polícia Federal desencadeou na manhã de hoje a Operação Xeque-Mate, resultado de dois inquéritos policiais. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e mandados de prisão temporária contra envolvidos em crimes como contrabando, corrupção e tráfico de drogas. Dos 88 mandados, 77 foram cumpridos nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia e Minas Gerais.

» vc repórter: Mande fotos e notícias

O delegado Alexandre Custódio, um dos coordenadores da operação, disse que as investigações atingiram cinco quadrilhas diferentes ligadas à exploração de caça-níqueis, que seriam comandadas do Mato Grosso do Sul. "Foi um duro golpe contra essas organizações criminosoas", disse.

O delegado não disse qual era a função de cada um dos detidos no esquema, mas afirmou que 56 pessoas foram detidas no Mato Grosso do Sul, 16 em São Paulo, duas no Paraná, uma no Distrito Federal, uma no Mato Grosso e uma em Rondônia.

Entre os empresários presos em Mato Grosso do Sul estão Jamil Name Filho e Nilton Cezar Cervo II. Name Filho é sobrinho do presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos (PMDB). Ele não quis comentar a prisão do seu sobrinho. Jamilzinho, como é conhecido, é filho da ex-vereadora de Campo Grande, Tereza Name (PMDB), irmã de Jerson. "Fiquei sabendo pela imprensa, não tenho informações sobre isso", resumiu-se a dizer o presidente da Assembléia na manhã de hoje.

O ex-deputado estadual Roberto Razuk, empresário em Dourados, na região sul do Estado foi outro detido na operação. Ele foi condenado em 2003 a uma pena de 20 anos em regime semi-aberto por crime contra o sistema financeiro nacional, falsificação de documento público e falsidade ideológica. Razuk cumpre a pena em regime semi-aberto. A Polícia Federal ainda não detalhou o envolvimento de Razuk com o jogo ilegal, alvo da operação.

Foram presos 15 policiais - oito em Três Lagoas, na região leste do Estado, e sete em Campo Grande. Entre os presos estão três oficiais da PM: coronel Marmo Marcelino de Arruda, coronel Edson da Silva, e o major Sergio Roberto Carvalho. Também foi preso o delegado da Polícia Civil Fernando Augusto Soares Martins.

O secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacini, disse que o governo do Estado "recebeu bem" a notícia da prisão de um delegado da Polícia Civil e de oficiais da Polícia Militar suspeitos de envolvimento com a máfia do jogo ilegal. "Significa que o trabalho está sendo feito. Bandidos não podem estar dentro das instituições", disse Jacini ao chegar ao prédio da secretaria no Parque dos Poderes.

As investigações começaram há seis meses. Um dos inquéritos investigava a prática de contrabando e descaminho de componentes eletrônicos para a utilização em máquinas caça-níqueis. O segundo apurava a corrupção de policiais civis e seu possível envolvimento com tráfico de drogas no Estado do Mato Grosso do Sul. Durante as investigações surgiram alvos comuns nos dois inquéritos e suas ações coincidiam nos atos criminosos dos grupos ligados à "máfia dos caça-níqueis".

O nome da operação se dá em alusão ao combate da exploração ilegal de jogos de azar no Brasil. O trabalho é considerado um duro golpe às quadrilhas investigadas, como se fosse um "xeque-mate" contra aqueles que exploram o jogo ilegal.

Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI1665373-EI5030,00.html