O relatório, que se refere à atuação do Poder Executivo e das Forças Armadas nos primeiros cinco dias da ofensiva, que começou por meio da Força Aérea e seguiu com uma invasão terrestre do sul do Líbano, conta com 320 fólios.
A Comissão que leva o nome do juiz aposentado Winograd é formada por dois catedráticos, Ruth Gavison, jurista de renome internacional, e Iejezkel Dror, professor em Ciências Políticas, e dois militares da reserva, os generais Menachem Einan e Haim Nadal.
Este primeiro relatório, que desperta enorme expectativa, é severamente crítico com Olmert; o ministro da Defesa, Amir Peretz, e o ex-chefe das Forças Armadas, o general reformado Dan Halutz, que já renunciou.
No entanto, em meios do Governo se assegurava nesta manhã que Olmert, no poder há 13 meses, não tem intenções de renunciar, e que a coalizão que preside com o respaldo de 78 legisladores entre os 120 do Parlamento (Knesset) não cairá.
Winograd entregará o volume que contém o relatório a Olmert uma hora antes de divulgar um resumo à imprensa, o que está previsto para as 17h (meio-dia em Brasília).
O magistrado, 81 anos, foi designado pelo Governo para presidir a investigação da atuação do Poder Executivo e das Forças Armadas após o seqüestro de dois soldados de uma patrulha por comandos islamitas do Hisbolá que cruzaram a fronteira, que terminou ainda com a morte de outros oito soldados, fatos que precipitaram a decisão de iniciar a polêmica ofensiva no Líbano.
A segunda parte do relatório da Comissão Winograd é esperada para o mês de julho, e analisará a atuação em detalhes das Forças Armadas.
O general Halutz, que então dirigia as Forças Armadas, renunciou em janeiro devido aos erros e após uma inspeção interna a cargo de 50 comitês de oficiais superiores.
A disputa durou entre 12 de julho e 14 de agosto do ano passado, quando o Conselho de Segurança da ONU consertou um armistício.
A resolução 1701, adotada pelo Conselho de Segurança, pediu a cessação das hostilidades entre Israel e as milícias libanesas do Hisbolá e ordenou a retirada das tropas israelenses de território libanês e o posicionamento simultâneo do Exército do Líbano e de tropas da ONU.
Além disso, pediu ao Líbano que acelerasse o desarmamento do Hisbolá e que tomasse o controle e exercesse sua autoridade em todo o país, exigências que já eram requeridas em uma resolução anterior, a 1559.
Nos 34 dias de conflito morreram mais de mil libaneses, entre civis e milicianos, e 163 soldados e civis de Israel.
Depois da apresentação do relatório da Comissão Winograd, uma bateria de ministros e legisladores da coalizão do Governo vai comentar as conclusões dos investigadores nos meios de comunicação.
Olmert e Peretz, também líder do Partido Trabalhista, decidiram encomendar a investigação ao juiz Winograd sob fortes pressões de centenas de reservistas que denunciaram graves erros na condução do conflito.
EFE