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Nomeações do Papa fortalecem conservadores

Segunda, 29 de setembro de 2003, 10h28
João Paulo II nomeou ontem 31 cardeais
João Paulo II nomeou ontem 31 cardeais
24 de setembro de 2003
AP


A escolha dos 31 novos cardeais nomeados pelo papa João Paulo II deve fortalecer a ala conservadora da igreja Católica, segundo o padre e teólogo suíço Hans Küng. Para ele, a não ser que entre os nomeados esteja disfarçado um "Gorbachov católico" - ou seja, um reformista - a eleição para o novo papa seguirá a linha conservadora defendida por João Paulo II.

"Está claro que o papa pretende predeterminar as eleições papais", afirmou Küng. Com as novas indicações, 96% dos cardeais atuais foram escolhidos por João Paulo II.

Entre eles está Dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro. Além dele, foram nomeados sete funcionários do Vaticano e ainda arcebispos de países como Itália, Nigéria, França, Espanha, Vietnã, Polônia, Estados Unidos, Guatemala e Índia.

Saúde
Com a saúde de João Paulo II cada vez mais debilitada, crescem as especulações sobre seu sucessor, em um momento em que a igreja Católica atravessa uma das fases mais difíceis de sua existência. "Hoje, a igreja Católica nos Estados Unidos está à beira de um declínio irreversível ou de uma transformação completa", diz Küng, referindo-se aos estragos causados pelos casos de pedofilia envolvendo padres da região de Boston.

O especialista em teologia, Francisco Pimentel, concorda com a análise. Para ele, o estrago foi tão grande que dentro da cúpula católica existe quase uma unanimidade sobre a necessidade de mudanças. "O próximo papa tem que ser progressista, os cardeais sabem disso", afirma Pimentel. "O número de fiéis no mundo inteiro está caindo. No Brasil a igreja católica perde milhares de fiéis para as igrejas evangélicas a cada ano."

Reformista
Apesar das pressões por mudanças, o padre suíço Küng acha difícil que entre os recém-nomeados cardeais esteja algum reformista. "Nunca ouvi qualquer coisa sobre qualquer um deles que mostre que eles são mais abertos", destaca.

Dom Eusébio, entretanto, já causou polêmica ao defender a descriminação das drogas do Brasil, embora, apesar disso, seja considerado conservador. Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de participar da eleição papal.

O nome de um dos cardeais nomeados foi mantido em sigilo. O Vaticano age assim quando o cardeal apontado vem de um país em que a igreja é oprimida. Os indicados assumem o cardinalato em uma assembléia de cardeais - conhecida como consistório - presidida pelo papa, no dia 21 de outubro. Esta foi a nona ocasião em que o papa João Paulo II nomeou novos cardeais.

BBC Brasil

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Terra - Brasil
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