Steve Holland
Chávez liderou um protesto contra Bush em Buenos Aires, a três horas de barco de Montevidéu, aonde Bush chegou sexta-feira à noite, vindo do Brasil. A visita a cinco países durará uma semana. "Esse pequeno cavalheiro imperial do norte deve estar do outro lado do rio (da Prata) agora. Vamos dar uma grande vaia para ele: gringo vá para casa", disse Chávez a milhares de pessoas reunidas num estádio de futebol em Buenos Aires, incitando-as a gritar "Gringo go home".
Bush vai discutir questões comerciais com o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, que assumiu em 2005 como o primeiro líder uruguaio de esquerda e tem adotado um caminho moderado. Após o encontro, eles concederão entrevista coletiva conjunta no Parque Anchorena, uma fazenda de 1.335 hectares e parque nacional que é a residência de veraneio do presidente do país de 3,3 milhões de habitantes.
Em entrevista coletiva em São Paulo, na sexta-feira, junto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bush negou-se a responder aos ataques de Chávez e não quis mencionar o nome do venezuelano, concentrando-se no que ele chama de comprometimento dos EUA na luta contra a pobreza na região.
"O objetivo desta viagem é lembrar as pessoas dos laços que nos unem, e da importância desta região para o futuro dos Estados Unidos", disse Bush, que tenta reverter a idéia de que os EUA estão negligenciando a América Latina. "Estou muito contente de estar aqui".
O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, acusou os repórteres de tentarem transformar a visita de Bush em uma notícia sobre Chávez. "Ele não veio aqui para tratar de países que não visitará", disse Snow.
O governo Bush tenta aumentar a pressão para os acordos bilaterais de livre comércio com países latino-americanos, e fez uma oferta ao Uruguai.
Vázquez deu sinais de interesse, uma posição que irritou alguns países do Mercosul, dominado pelo Brasil, Argentina, o novo membro Venezuela e Paraguai.
O Mercosul proíbe acordos de comércio bilaterais, que minam o poder do bloco de negociar como um todo.
Reuters