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Índia reúne maioria dos hinduístas do mundo

Quinta, 11 de setembro de 2003, 14h01
Os hinduístas não fazem separação entre religião e outros aspectos da vida. Para o hindu, Deus está em todas as coisas
Os hinduístas não fazem separação entre religião e outros aspectos da vida. Para o hindu, Deus está em todas as coisas
11 de setembro de 2003
Reuters


Hinduísmo é o nome dado a uma série de religiões e culturas que surgiram e ainda existem na Índia. A religião é abraçada hoje por 750 milhões de fiéis, e a maioria deles vive no país, onde o hinduísmo começou a florescer e se firmar durante o ano 1.000 d.C. No século 3 a.C, a religião nacional da Índia era o budismo. Durante os séculos 18 e 19, o hinduísmo sofreu influências externas, quando missionários ocidentais tentaram converter os hindus.

Como outras religiões orientais, o hinduísmo não é facilmente definido por padrões ocidentais. É uma religião sem fundador, sem código de fé ou fonte de autoridade. Os hinduístas não fazem separação entre religião e outros aspectos da vida. Para o hindu, Deus está em todas as coisas.

Fundamentos do hinduísmo
No hinduísmo não há muitos aspectos comuns a todos os grupos de fiéis, mas os adeptos da religião compartilham um sentimento de solidariedade e identificação. As características mais comuns dos hinduístas são a fé em uma única divindade ou deus supremo que está presente em tudo.

Crê-se ainda em outros deuses que sejam ligados ao deus supremo e que a alma passa por um ciclo de nascimento e morte. Acredita-se no carma - uma força que determina a qualidade de cada vida -, dependendo de como se viveu na vida anterior. A maioria dos fiéis adora em casa, em um pequeno santuário. Os templos hindus são o foco da vida religiosa, mas não existe uma tradição de adoração em grupo.

O hinduísmo não procura converter pessoas, mas algumas seitas indianas modernas já começam a procurar novos adeptos. A religião pode ser definida mais como uma maneira de compreender o universo e como se viver neste universo.

Há muitas falsas concepções sobre hinduísmo que são resultado de uma tentativa do Ocidente de encaixá-lo dentro de uma espécie de sistema religioso.

Verdade e fé
O hinduísmo não insiste em ser a "única verdade religiosa" como outras religiões nem tem um código centralizado de fé. Não há uma forma "correta" de hinduísmo (embora textos antigos afirmem o contrário). Não existe também um livro equivalente à Bíblia ou ao Corão. O hinduísmo oferece mais importância à tradição oral, algo não muito bem aceito pelos estudiosos do Ocidente.

O hinduísmo continua se desenvolvendo através de ensinamentos de pessoas modernas sobre sabedoria. Para muitos hinduístas, religião é uma questão de prática não de credos. Ações valem mais que a fé. Por trás da prática do hinduísmo existe a convicção de que cada alma está presa ao ciclo do nascimento, morte e renascimento. E cada fiel quer escapar desse ciclo.

O objetivo dos hinduístas é viver de um modo que proporcione sempre melhorar para a vida seguinte. Viver e agir de maneira correta é conhecido como dharma, o nome indiano para religião é sanatana dharma, que significa "dharma eterno". Os hinduístas acreditam que o universo é um padrão cíclico, ou seja, não tem começo nem fim.

Samsara, o ciclo de vidas
Para os fiéis, a alma individual nasce em um corpo, morre e depois reencarna ou renasce em outro corpo. A qualidade da vida seguinte depende do carma da alma, da qualidade dos atos praticados durante a vida (bons ou ruins). Para nascer de novo com uma vida melhor, o indivíduo tem que estar atento a seus atos na vida atual.

Desta forma, quando alguém morre, a alma renasce em um novo corpo (não necessariamente um corpo humano, pode renascer em um animal). Esse ciclo de nascimento, morte e renascimento é conhecido como samsara. Já o processo de a alma renascer em outro corpo é conhecido como reencarnação.

O último objetivo da alma é ser libertada deste ciclo, e a qualidade de vida em que essa alma renascerá dependerá do que a pessoa fez na vida anterior. Se alguém vai renascer para uma vida melhor, pior, ou até mesmo para viver como um animal, vai depender do carma, que, segundo os hinduístas é o valor que a alma recebe pelos atos bons ou ruins que praticou.

Carma não pode ser interpretado como o julgamento conhecido na religião cristã, ele é automático e impessoal. Uma boa analogia para se entender o carma, seria força de gravidade. Os hinduístas almejam viver de uma maneira que lhes proporcionará uma vida melhor na reencarnação.

Liberação e Moshka
O hinduísta procura fugir do ciclo de nascimento, morte e renascimento e se libertar do carma, e isso é chamado de moshka. Cada vez que a alma renasce para uma vida melhor, surge com ela uma oportunidade de melhorar e ficar mais perto da liberação.

A pessoa consegue atingir o moshka quando "se liberta da ignorância" e não deseja mais nada, o que não é um estado de conhecimento, mas de existência. Paradoxalmente é realmente um estado de não ser (não-existência), quando a alma alcança esse estado, a alma se torna consciente de que não é nada mais que parte de uma realidade, parte de "deus", parte de Brahman e perde sua identidade individual.

O hinduísmo visa uma qualidade de vida que leve a uma vida melhor na hora da reencarnação e que por último alcance a libertação.

BBC Brasil
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
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