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O domínio de Pinochet no Chile por mais de 15 anos

Terça, 9 de setembro de 2003, 15h13
Pinochet desfila em Santiago, em março de 1998
Pinochet desfila em Santiago, em março de 1998
09 de setembro de 2003
Reuters


No dia 11 de setembro de 2003 completam-se 30 anos de uma das ditaduras mais longas da história do Chile. O general Augusto Pinochet comandou a vida do país com mão de ferro desde que liderou um golpe militar contra o presidente socialista Salvador Allende, em 1973, e, mesmo depois de entregar o poder, em 1990, manteve uma forte influência sobre os rumos da nação. Seu poder era tanto, que ele costumava dizer que controlava até o movimento das folhas das árvores.

Leia abaixo a lista dos principais episódios que marcam a presença de Pinochet na história recente do Chile:

1973

  • 23 de agosto: O presidente socialista Salvador Allende aceita a demissão do general Carlos Prats do comando do Exército e designa para o cargo o general Augusto Pinochet.

  • 11 de setembro: Golpe de Estado. Allende se suicida, depois de recusar a rendição exigida dele pela Junta Militar liderada por Pinochet, que três dias depois fecha o Congresso.

  • 30 de setembro: Pinochet anuncia que a presidência da Junta será exercida sucessivamente pelos comandantes da Armada, da Força Aérea e da polícia de Carabineros.

  • 6 de outubro: Seguem os fuzilamentos de opositores. As igrejas cristãs criam o Comitê de Cooperação para a Paz.

    1974

  • 16 de março 16: Pinochet assiste à posse do presidente do Brasil, o general Ernesto Geisel.

  • 15 de junho: Pinochet cria a DINA (Direção de Inteligência Nacional), a polícia política encarregada de combater a subversão (que será substituída em 1977 pela Central Nacional de Informações, CNI).

  • 20 de junho: Pinochet se proclama chefe supremo da Nação.

  • 30 de setembro: O general Carlos Prats morre assassinado junto com a mulher em Buenos Aires, onde vivia exilado desde o golpe.

  • 16 de dezembro: Pinochet promulga o decreto que o converte em Presidente da República.

    1975

  • 6 de outubro: O líder democrata-cristão Bernardo Leighton, exilado em Roma, é ferido a tiros junto com a esposa num atentado.

  • 15 de novembro: Pinochet participa dos funerais do general Francisco Franco em Madri.

    1976

  • 6 de janeiro: O cardeal Raúl Silva Henríquez cria o Vicariato da Solidaridade (em substituição do dissolvido Comitê de Cooperação para a Paz), que denuncia as violações dos direitos humanos e concede apoio jurídico aos presos políticos.

  • 16 de julho: Num local de Santiago aparece o corpo do diplomata espanhol Carmelo Soria, detido dois dias antes por uma patrulha militar.

  • 21 de setembro: O ex-chanceler socialista Orlando Letelier e sua secretária morrem em Washington, quando uma bomba instalada por agentes da DINA explode sob seu automóvel.

    1977

  • 4 de abril: O governo militar proíbe a importação de livros de Gabriel García Márquez, Julio Cortázar e Mario Vargas Llosa, entre outros autores considerados marxistas ou pró-marxistas.

  • 5 de setembro: Pinochet viaja a Washington, para participar nos atos relacionados aos novos acordos para o Canal do Panamá.

    1978

  • 4 de janeiro: Em consulta popular convocada por Pinochet, a maioria dos eleitores rejeita a "intromissão" da ONU em assuntos chilenos.

  • 17 de março: Bolívia rompe relações com o Chile, ao fracassar suas tentativas de obter uma saída soberana para o Pacífico.

  • 19 de abril: Pinochet dita um decreto de anistia que libera de culpas os autores de crimes políticos desde o golpe militar de 1973. Os principais beneficiados são os agentes do regime.

  • 24 de julho: Pinochet destitui da Junta do Governo e do comando da Força Aérea o general Gustavo Leigh, que propunha uma volta da democracia.

  • 1º de agosto: Estados Unidos pedem sem êxito a extradição do chefe da DINA, general Manuel Contreras, pelo assassinato de Orlando Letelier.

  • 22 de dezembro: O papa João Paulo II inicia uma mediação para evitar a guerra entre Chile e Argentina pelo canal de Beagle.

    1979

  • 19 de janeiro: Peru acusa o Chile de espionagem, retira seu embaixador e declara persona non grata o embaixador chileno, Francisco Bulnes Sanfuentes.

  • 1º de dezembro: Estados Unidos suspendem toda a ajuda militar e financeira ao regime de Pinochet.

    1980

  • 22 de março: O presidente filipino Ferdinand Marcos, "por motivos de segurança", cancela um convite a Pinochet, que estava voando para Manila, e o incidente causa ruptura diplomática.

  • 11 de setembro: Em plebiscito que a oposição qualifica de "fraudulento", é aprovada uma nova Constituição que prolonga por 10 anos o mandato de Pinochet.

    1982

  • 25 de fevereiro: O sindicalista Tucapel Jiménez, seqüestrado por um comando da CNI, aparece degolado na periferia de Santiago.

    1983

  • 13 de janeiro: Pinochet decreta a intervenção em cinco bancos e a dissolução de outros dois, para evitar a quebra do sistema financeiro.

  • 11 de maio: Primeira Jornada de Protesto Nacional, encabeçada pelos mineiros do cobre, para exigir o retorno à democracia.

  • 11 de agosto: o quarto protesta culmina com 27 mortos.

  • 30 de agosto: O intendente de Santiago, coronel Carol Urzúa, morre junto com dois guarda-costas numa emboscada do MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária).

    1984

  • 4 de setembro: O sacerdote francês André Jarlan e nove manifestantes morrem vítimas de tiros disparados pela polícia, durante o décimo Protesto Nacional.

    1985

  • 28 de março: Um comando dos Carabineiros degola na periferia de Santiago os militantes comunistas José Manuel Parada, Manuel Guerrero e Santiago Nattino.

  • 2 de agosto: O general César Mendoza renuncia à chefatura dos carabineiros e à Junta de Governo, por causa do caso "dos degolados".

    1986

  • 2 de julho: O fotógrafo Rodrigo Rojas morre e a estudante Carmen Quintana fica gravemente ferida, quando os dois são queimados por uma patrulha militar, durante um novo protesto nacional.

  • 7 de setembro: A Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) realiza um atentado contra Pinochet na periferia de Santiago: morrem cinco guarda-costas do presidente. Toque de recolher.

  • 8 de setembro: O "Comando 11 de Setembro" assassina o jornalista José Carrasco e outros três opositores de esquerda, em represália ao atentado contra Pinochet.

    1987

  • 1º de abril: O papa João Paulo chega ao Chile, onde se reúne com Pinochet. Falando para meio milhão de católicos num parque de Santiago, proclama que "o amor é mais forte".

    1988

  • 5 de outubro 5: 53,31% dos eleitores que participam de um plebiscito dizem "Não" à proposta de Pinochet de seguir no poder até 1997.

    1989

  • 11 de dezembro: Patricio Aylwin, candidato democrata-cristão da aliança com os socialistas, ganha a eleição presidencial com mais de 56% dos votos, ante o oficialista Hernán Buchi.

    1990

  • 11 de março: Pinochet entrega a presidência a Aylwin e o Congresso é reaberto, com legisladores eleitos três meses antes.

  • 19 de dezembro: Pinochet, que segue no coando do Exército, ordena um aquartelamento para manifestar "preocupação" com as investigações do novo Governo sobre as violações aos direitos humanos.

    1991

  • 4 de março: A Comissão Verdade e Reconciliação, criada pelo Governo, determina que a repressão do regime militar deixou mais de 3 mil mortos e desaparecidos.

  • 1º de abril: O senador de direita Jaime Guzmán, líder da oposição e ex-assessor de Pinochet, morre metralhado por um comando da FPMR.

    1993

  • 28 de maio: Pinochet e o Corpo de Generais se reúnem em uniforme de combate, em meio a uma forte mobilização militar.

    1994

  • 11 de março: O democrata-cristão Eduardo Frei assume a presidência, depois de vencer as eleições.

    1995

  • 30 de maio: a Corte Suprema condena a sete anos de prisão o general Manuel Contreras, ex-chefe da DINA, e a seis anos o brigadeiro Pedro Espinoza, pelo assassinato do ex-chanceler Letelier em Washington.

    1998

  • 10 de março: Pinochet, que governou o Chile como ditador entre 1973 e 1990, entrega o comando do Exército, que ocupou durante 25 anos, ao general Ricardo Izurieta.

  • 11 de março: Pinochet assume como senador vitalício, de acordo com a legislação elaborada durante seu regime.

  • 16 de outubro: A pedido da justiça espanhola, Pinochet é detido numa clínica de Londres, onde se recuperava de uma cirurgia na coluna.

  • 6 de novembro: A Espanha pede a extradição de Pinochet e o Governo do presidente Eduardo Frei, em desacordo com a solicitação, chama seu embaixador em Madri.

    1999

  • 30 de junho: Estados Unidos publicam 5,8 mil documentos secretos sobre as violações aos direitos humanos durante a ditadura de Pinochet.

  • 8 de outubro: o juiz britânico Ronald Bartle concede a extradição de Pinochet à Espanha.

  • 25 de novembro: Pinochet completa 84 anos, detido em Londres, enquanto seus advogados levam o caso à Alta Corte.

    2000

  • 5 de janeiro: Pinochet é submetido a exames médicos num hospital do noroeste de Londres para estabelecer se podia ou não ser extraditado para a Espanha ou se deveria ser liberado devido a seu quadro de saúde.

  • 11 de janeiro: O ministro britânico do Interior, Jack Straw, adianta sua "intenção" de liberar Pinochet depois dos exames médicos.

  • 16 de janeiro: O líder socialista Ricardo Lagos, candidato do oficialismo, ganha o segundo turno das eleições presidenciais, com 51,31% dos votos.

  • 2 de março: Straw libera Pinochet, ao final de 503 dias de detenção.

  • 3 de março: Pinochet é recebido no aeroporto de Santiago por altos dirigentes militares.

  • 6 de março: O juiz Juan Guzmán Tapia pede a quebra da imunidade de Pinochet, como senador vitalício, para enfrentar mais de 80 queixas (nessa época) que acumularam durante sua detenção em Londres, relacionadas a fatos ocorridos durante sua ditadura.

  • 9 de março: Pinochet vai de Santiago para sua fazenda de Bucalemu, na costa central, 130 quilômetros a oeste da capital chilena.

  • 11 de março: Ricardo Lagos recebe a faixa presidencial das mãos de Eduardo Frei e se transforma no primeiro governante socialista do Chile depois de Salvador Allende, morto a 11 de setembro de 1973 durante o golpe de Pinochet.

  • 13 de março: a Corte Suprema acolhe uma petição dos Estados Unidos para interrogar 42 funcionários da ditadura militar, vinculados ao assassinato em Washington do ex-chanceler socialista Orlando Letelier, dia 21 de setembro de 1976.

  • 21 de março: A direitista União Democrata Independente (UDI) pede ao presidente Lagos que permita a "retirada digna" de Pinochet da atividade política.

  • 18 de abril: A Corte de Apelações de Santiago rejeita um pedido da defesa de Pinochet, para submetê-lo a novos exames médicos antes de julgar a quebra da imunidade dele como senador.

  • 20 de abril: A Corte de Apelações de Santiago nega-se a aplicar uma antiga lei de anistia ditada por Pinochet para liberar de culpas ex-chefes militares acusados de integrar a "Caravana da Morte", que fuzilou 74 presos políticos em outubro de 1974.

  • 24 de abril: Pinochet regressa a Santiago vindo de sua fazenda na costa para submeter-se a exames médicos.

  • 25 de abril: Quatro novas queixas contra Pinochet são apresentadas em Santiago elevando para 92 as denúncias por crimes atribuídos à ditadura.

  • 26 de abril: a Corte de Apelações de Santiago inicia o julgamento da quebra de imunidade de Pinochet.

  • 4 de maio: o chefe do Exército general Ricardo Izurieta adverte que a quebra de imunidade de Pinochet não o deixaria satisfeito.

  • 11 de maio: Aumentam para cem as queixas contra Pinochet.

  • 16 de maio: O presidente Lagos manifesta incômodo devido a uma reunião realizada na véspera pelos comandantes-em-chefe das Forças Armadas.

  • 23 de maio: a Corte de Apelações de Santiago aprova a quebra de imunidade de Pinochet, mas adia a divulgação do veredicto.

  • 5 de junho: A Corte divulga o veredicto e confirma a quebra de imunidade.

  • 21 de junho 21: O Congresso chileno aprova uma lei que protege a identidade dos que informarem sobre os desaparecidos sob a ditadura de Pinochet.

  • 8 de agosto: A Corte Suprema do Chile confirma a quebra de imunidade de Pinochet. O Exército se solidariza com seu ex-chefe.

  • 4 de setembro: Pinochet entrega mensagem aos chilenos durante o Dia da Unidade Nacional.

  • 14 de setembro: Estados Unidos publicam 11 mil novos documentos secretos sobre o Chile, incluindo centenas da CIA.

  • 25 de setembro: o juiz Guzmán Tapia ordena exames mentais em Pinochet antes do julgamento, decisão da qual o ex-ditador apela dois dias depois.

  • 27 de outubro: A justiça argentina pede formalmente a extradição de Pinochet por sua presumível responsabilidade no assassinato do general chileno Carlos Prats em 1974 em Buenos Aires.

  • 28 de outubro: Pinochet é hospitalizado de urgência por uma pneumonia.

  • 1º de dezembro 1: Guzmán Tapia ordena a prisão domiciliar de Pinochet, pelos 75 crimes cometidos pela Caravana da Morte.

    2002

  • 1º de Julho: A Corte Suprema livrou o general das acusações ao considerar que uma demência moderada o impedia de se defender ante os tribunais.

    2003

  • Aos 87 anos, humilhado no país que governou com mão de ferro, com a saúde bastante deteriorada, o ex-ditador já não enfrenta a ameaça da Justiça.
    AFP
  • Leia esta notícia no original em:
    Terra - Brasil
    http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI140582-EI1782,00.html