América Latina verá melhor a aproximação de Marte

Terça, 26 de agosto de 2003, 19h11
Imagem capturada pelo telescópio Subaru, no pico de Mauna Kea, no Havaí
Imagem capturada pelo telescópio Subaru, no pico de Mauna Kea, no Havaí
26 de agosto de 2003
AP


Os moradores de países da América Latina terão uma visão privilegiada para assistir, a olho nu, detalhes do Planeta Vermelho que, na madrugada de amanhã, estará na posição mais próxima da Terra em 60 mil anos.

"A América Latina terá uma visão privilegiada porque o planeta Marte está passando exatamente sobre o Hemisfério Sul da Terra", disse Arturo Gómez, astrofotógrafo do Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO), 500 km ao norte de Santiago.

"Nos países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, Marte estará abaixo do horizonte, o que faz com que percam ótica para poder observar detalhes", continuou.

Planeta mais misterioso do Sistema Solar, Marte estará a 55,7 milhões de quilômetros de distância da Terra, a posição mais próxima de nós dos últimos 60 mil anos.

Essa aproximação será uma festa para os astrônomos a partir do anoitecer de hoje, embora o ponto máximo do fenômeno seja às 06h51 de quarta-feira (hora de Brasília).

Segundo cálculos astronômicos, o fenômeno só se repetirá em 28 de agosto de 2287.

Na última vez que Marte se aproximou da Terra, pôde ser visto pelos primeiros homens modernos e pelos últimos homens de Neardenthal.

"Em uma ocasião como esta, explicou Gómez, "é possível observar a superfície de Marte e seus detalhes usando pequenos telescópios".

Segundo ele, será possível, por exemplo, visualizar a formação triangular escura de Sirtis Maior (mancha escura de Marte) e, com um equipamento mais sofisticado, o Vale Marineris, similar a uma falha geológica que se estende por quatro mil quilômetros e que se assemelha ao Grande Cânion do Colorado, Estados Unidos.

O astrofotógrafo de Tololo disse que se os observadores na Terra utilizarem pequenos telescópios com espelhos de oito polegadas de diâmetro, poderão ver ainda as calotas polares, detalhes da superfície e até fenômenos atmosféricos, sempre que as condições de visibilidade permitirem.

A olho nu, explicou, será possível apreciar, ao anoitecer, um brilhante objeto muito luminoso de tom avermelhado, parecido com uma estrela. À meia-noite, "estará sobre nossas cabeças" e na hora de sua aproximação máxima, Marte estará no poente.

A aproximação máxima entre a Terra e Marte ocorre no momento em que os dois planetas estão no trajeto de suas rotas elípticas, as mais agudas do Sistema Solar.

A distância-média entre a Terra e Marte é de 78 milhões de quilômetros, enquanto sua separação mínima chega a 55 milhões de quilômetros e a máxima, a 101 milhões de quilômetros.

Segundo pesquisas científicas, Marte é o planeta que tem as maiores semelhanças físicas com a Terra. Tem, por exemplo, uma superfície sólida para pisar e uma inclinação de seu eixo similar ao da Terra.

AFP
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI135430-EI302,00.html