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Rio: 100 mil ficam sem água a partir de hoje a noite

Quinta, 11 de janeiro de 2007, 04h26
Água da represa tomou conta das ruas de Miraí, em Minas Gerais
Água da represa tomou conta das ruas de Miraí, em Minas Gerais
10 de janeiro de 2007
José Renato L. Paulo/vc repórter

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro


Cerca de 100 mil pessoas terão o abastecimento de água cortado, a partir desta quinta-feira, em razão do vazamento de lama provocado pelo rompimento de uma barragem da empresa Mineração Rio Pomba Cataguases na cidade de Miraí, em Minas Gerais, na divisa com o Estado. O corte no fornecimento afetará, a partir da noite desta quinta-feira os municípios fluminenses de Laje do Muriaé (7,9 mil habitantes), São José de Ubá (6,4 mil pessoas) e Itaperuna (86,7 mil habitantes). Outras 25 mil pessoas podem ser prejudicadas nas cidades de Italva e Cardoso Moreira. O rio Muriaé, contaminado pela lama da barragem, é afluente do Paraíba do Sul, que abastece o Estado do Rio de Janeiro.

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De acordo com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), os municípios de Laje do Muriaé e São José de Ubá terão o fornecimento cortado ainda nesta quinta, enquanto Itaperuna, Cardoso Moreira e Italva serão afetados até o fim de semana.

Mais cedo nesta quinta, a Cedae havia informado que já havia interrompido o fornecimento de água para Laje do Muriaé, São José de Ubá e Itaperuna. À tarde, porém, a companhia informou que houve um mal-entendido nas informações oriundas dessas cidades.

No início da madrugada de hoje, voltou a chover no município de Miraí (MG), levando ao aumento do nível do rio e causando novo vazamento da barragem.

Levantamento da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE-RJ), apurou que a ruptura na barragem da empresa de mineração espalhou dois bilhões de litros de lama misturada com bauxita e sulfato de alumínio no Rio Muriaé, que abastece o noroeste do Rio. Problema semelhante já havia ocorrido em março do ano passado, quando 400 milhões de litros de argila com óxido de ferro e alumínio prejudicaram a água.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, estima uma grande mortandade de peixes nas próximas horas no Rio Muriaé. Técnicos da companhia constataram que o nível de turbidez da água está 200 vezes acima do normal. A análise foi feita num trecho de 40 quilômetros.

Miraí e Muriaé
O vazamento da barragem, ocorrido na manhã da quarta, deixou mais de quatro mil desabrigados em Muriaé. A Defesa Civil investiga se o dique emergencial montado pela mineradora na barragem, da qual vazaram ontem mais de 2 milhões de litros de resíduos para o Muriaé, não resistiu com a retomada das chuvas - a empresa será multada em R$ 50 milhões pelo governo mineiro.

Moradores da região atingida já estão comprando água mineral para comer e cozinhar. O preço médio é de R$ 4 pelo garrafão de 5 litros. Na cidade de Laje do Muriaé, alguns pescadores tentam ganhar algum dinheiro oferecendo transporte de barco a R$1, pois a cidade está alagada e eles, impedidos de pescar no rio Muriaé.

Na cidade de Miraí, a elevação do nível das águas e o novo vazamento inutilizaram boa parte dos trabalhos de limpeza e recuperação das casas iniciado ontem. A cidade vizinha de Muriaé também está em alerta para o nível das águas.

Boa parte da população local de Miraí decidiu passar a madrugada acordada e fora de casa, por conta das cheias. Segundo o governo de Minas, no primeiro rompimento, 53% da capacidade total da barragem já tinham vazado.

A situação de alerta em Minas, Rio de Janeiro e todo o Sudeste devido às chuvas permanece nesta quinta-feira. A Defesa Civil anunciou temporais na região para o dia. O mau tempo afetou mais de 225 mil pessoas em Minas, onde pelo menos 21 pessoas morreram. Em todo o Sudeste, há cerca de 41 rodovias interditadas.

Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI1341529-EI306,00.html