Saddam Hussein tinha sido condenado à morte em 5 de novembro passado pela execução de 148 aldeões xiitas de Dujail (norte de Bagdá) nos anos 80.
"A execução de Saddam Hussein terminou", anunciou a TV estatal Iraqia em uma faixa na tela, sobre imagens com os versículos do Alcorão.
"Foi enforcado até morrer", informou outra faixa na tela.
A apelação do ex-presidente tinha sido rejeitada na terça-feira pela Justiça iraquiana.
Além do ex-presidente iraquiano foram executados o meio-irmão de Saddam Hussein, Barzan al-Tikriti, e o antigo presidente do Tribunal Revolucionário Awad al-Bandar, também condenados pelo massacre de Dujail, revelou a Iraqia.
O ex-ditador, que governou o Iraque com mão de ferro desde 1979 até sua queda, em abril de 2003, foi executado após ser declarado culpado por crimes contra a humanidade, mais de três anos depois de ser deposto por uma ofensiva militar da coalizão liderada pelos Estados Unidos.
O julgamento, que durou mais de um ano, foi denunciado pelos defensores de Saddam e por juristas estrangeiros como um "processo político" viciado, em meio a assassinatos de juízes e advogados, e da duvidosa imparcialidade do tribunal.
Ao ser divulgado o veredicto, no dia 5 de novembro, o xeque Al Nadawi, líder do grupo tribal Baigat, ao qual pertencia o ex-ditador, previu: Saddam "viveu como um herói e morrerá como um herói".
Saddam era acusado ainda de ter ordenado e executado as campanhas militares de Anfal, no Curdistão (norte), entre 1987 e 1988, que provocaram a morte de 180 mil curdos.
Os advogados do ex-ditador lutaram até o final para tentar evitar a execução, recorrendo inclusive à Justiça dos Estados Unidos para que bloqueasse a transferência de Saddam às autoridades iraquianas.
Os advogados enviaram documentos à Corte Federal de Washington para impedir a execução, mas o juiz Colleen Kollar-Kotelly recusou o pedido, após uma audiência por telefone com os representantes do ditador.
As autoridades iraquianas precisavam executar Saddam Hussein até a manhã de sábado, quando começaram as celebrações da Festa do Sacrifício (Al-Adha). "A tradição manda que não se pratique qualquer execução durante as festas religiosas", explicou um responsável governamental.
vog/LR AFP 300220 DEC 06
AFP