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Saddam Hussein é executado no Iraque

Sábado, 30 de dezembro de 2006, 02h20


O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein foi enforcado na manhã deste sábado no Iraque, confirmou uma fonte oficial à TV iraquiana.

Saddam Hussein tinha sido condenado à morte em 5 de novembro passado pela execução de 148 aldeões xiitas de Dujail (norte de Bagdá) nos anos 80.

"A execução de Saddam Hussein terminou", anunciou a TV estatal Iraqia em uma faixa na tela, sobre imagens com os versículos do Alcorão.

"Foi enforcado até morrer", informou outra faixa na tela.

A apelação do ex-presidente tinha sido rejeitada na terça-feira pela Justiça iraquiana.

Além do ex-presidente iraquiano foram executados o meio-irmão de Saddam Hussein, Barzan al-Tikriti, e o antigo presidente do Tribunal Revolucionário Awad al-Bandar, também condenados pelo massacre de Dujail, revelou a Iraqia.

O ex-ditador, que governou o Iraque com mão de ferro desde 1979 até sua queda, em abril de 2003, foi executado após ser declarado culpado por crimes contra a humanidade, mais de três anos depois de ser deposto por uma ofensiva militar da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

O julgamento, que durou mais de um ano, foi denunciado pelos defensores de Saddam e por juristas estrangeiros como um "processo político" viciado, em meio a assassinatos de juízes e advogados, e da duvidosa imparcialidade do tribunal.

Ao ser divulgado o veredicto, no dia 5 de novembro, o xeque Al Nadawi, líder do grupo tribal Baigat, ao qual pertencia o ex-ditador, previu: Saddam "viveu como um herói e morrerá como um herói".

Saddam era acusado ainda de ter ordenado e executado as campanhas militares de Anfal, no Curdistão (norte), entre 1987 e 1988, que provocaram a morte de 180 mil curdos.

Os advogados do ex-ditador lutaram até o final para tentar evitar a execução, recorrendo inclusive à Justiça dos Estados Unidos para que bloqueasse a transferência de Saddam às autoridades iraquianas.

Os advogados enviaram documentos à Corte Federal de Washington para impedir a execução, mas o juiz Colleen Kollar-Kotelly recusou o pedido, após uma audiência por telefone com os representantes do ditador.

As autoridades iraquianas precisavam executar Saddam Hussein até a manhã de sábado, quando começaram as celebrações da Festa do Sacrifício (Al-Adha). "A tradição manda que não se pratique qualquer execução durante as festas religiosas", explicou um responsável governamental.

vog/LR AFP 300220 DEC 06

AFP
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Terra - Brasil
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