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Ex-ditador iraquiano é executado após vida marcada pela violência

Sábado, 30 de dezembro de 2006, 02h17


Saddam Hussein, que durante 24 anos exerceu o poder no Iraque e hoje foi executado, nasceu em 28 de abril de 1937 em al-Awja, uma aldeia de Tikrit, cidade muçulmana sunita a 150 quilômetros de Bagdá.

Conterrâneo do legendário sultão árabe Saladino e descendente de uma família de camponeses, Saddam, após a morte de seu pai, foi educado por seu tio, Khairallah Tolfah, mais tarde governador de Bagdá.

Filiado ao partido socialista pan-arabista Baath desde 1956, sua carreira foi marcada por intrigas palacianas, tentativas de assassinatos de adversários e golpes de Estado.

Durante sua juventude, Saddam participou de um golpe fracassado contra o rei Faisal II e de um atentado também frustrado contra o general Abdul Karin Kassem. Ele passou vários períodos na prisão, foi condenado à morte e esteve exilado na Síria e no Egito.

Retornou ao Iraque em 1963 e participou da revolução que, em 1968, levou ao poder o partido Baath, do qual se tornou secretário-geral adjunto.

Em 1969 foi nomeado vice-presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, o principal órgão de poder no Iraque. Liderou então uma série de reformas internas que levaram à nacionalização do petróleo, em 1972.

Em 16 de julho de 1979, o general Hassan el-Bakr deixou o poder por motivos de saúde. Saddam assumiu os cargos de chefe de Estado, presidente do Conselho do Comando Revolucionário, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e secretário-geral do Baath.

Após enfrentar uma conspiração que acabou com a execução de 34 pessoas, em 1980 envolveu o Iraque numa guerra contra o Irã pelo estratégico território de Chat al-Arab, porta de saída para o Golfo Pérsico. O conflito durou oito anos, até o cessar-fogo assinado em 20 de agosto de 1988, após a morte de mais de um milhão de pessoas.

A invasão do Kuwait, em agosto de 1990, levou a um novo conflito, em janeiro do ano seguinte. Desta vez, o adversário era uma coalizão militar internacional liderada pelos Estados Unidos, com apoio das Nações Unidas.

Vencido pelos aliados, Saddam Hussein teve que aceitar o embargo econômico imposto pela ONU. Além disso, o órgão passou a inspecionar e desmantelar seu programa armamentista.

O embargo, suavizado em 1995 pelo programa "Petróleo por Comida", afundou o país na pobreza. Mas Saddam conseguiu se manter no poder.

Em 1997 começaram as divergências do regime com a UNSCOM, a missão das Nações Unidas encarregada de supervisionar o desarmamento do Iraque. Havia a suspeita de que o regime desenvolvia armas químicas e nucleares. Os desencontros se prolongaram por seis anos e serviram como pretexto aos EUA para lançar sua invasão do Iraque.

Após a saída dos inspetores, acusados de espiões, começou a operação Raposa do Deserto. Aviões dos EUA e do Reino Unido bombardearam maciçamente alvos do Iraque, que se negava a admitir a volta dos inspetores.

A inclusão do Iraque no "Eixo do Mal" anunciado pelo presidente americano, George W. Bush, após os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, precipitou a intensificação do debate na ONU sobre suas intenções bélicas.

Em 20 de março de 2003, forças dos EUA e do Reino Unido invadiram o Iraque, que em menos de um mês caiu em mãos das forças invasoras.

O paradeiro de Saddam Hussein se tornou então em uma incógnita que se prolongou durante oito meses. No dia 13 dezembro do mesmo ano, foi capturado numa fazenda da cidade de ad-Duar, perto de Tikrit.

Segundo a coalizão militar, foi um membro de uma família próxima a Saddam quem revelou o local do esconderijo.

Em 1 de janeiro de 2004, o Pentágono reconheceu o ex-ditador como "prisioneiro de guerra". Durante quase dois anos, permaneceu sob custódia das forças americanas, à espera de ser julgado por um Tribunal Especial, que em 19 de outubro de 2005 iniciou o primeiro processo.

No julgamento pelo massacre de 148 pessoas em 1982 em Dujail, a norte de Bagdá, Saddam foi condenado em 5 de novembro de 2006 a morrer na forca. Dois de seus mais estreitos colaboradores receberam a mesma sentença: seu meio-irmão, Barzan al-Tikriti, e o chefe do tribunal revolucionário que ordenou a execução xiita, Awad Hamad al-Bandar.

Em 26 de dezembro de 2006, o Tribunal de Cassação iraquiano ratificou as sentenças.

Saddam Hussein também foi julgado por sua suposta responsabilidade nos ataques, inclusive com armas químicas, contra o Curdistão iraquiano, na campanha de al-Anfal, em 1987 e 1988, nos quais foram mortos milhares de curdos.

O Tribunal Penal Supremo iraquiano rejeitou em 28 de dezembro um pedido do ex-presidente Saddam Hussein para reconsiderar a sentença.

As forças americanas encarregadas da custódia pediram em 29 de dezembro ao chefe da equipe de advogados de Saddam, Khalil al-Dulaimi, que indicasse alguém para recolher os pertences do ditador e seus dois colaboradores.

Na madrugada de 30 de dezembro, Saddam Hussein foi enforcado.

Casado duas vezes, Saddam teve cinco filhos. Os dois mais velhos, Uday e Qusay, considerados os homens mais influentes de seu regime e seus últimos apoios até a perda do poder, morreram em Mossul no dia 22 de julho de 2003, durante um ataque dos militares americanos a uma casa.

EFE
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Terra - Brasil
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