Ex-ditador preferiu não cobrir o rosto |
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O Conselheiro da Segurança Nacional do Iraque, Mouwafak al-Rubai, que estava presente à execução do ex-presidente, afirmou que ele "parecia estranhamente submisso" ao processo. "Ele estava com medo. Dava para ver medo no seu rosto", teria afirmado Rubai segundo a CNN.
A rede de televisão iraquiana Al-Arabya divulgou as primeiras imagens da execução. Nelas, Saddam Hussein é filmado minutos antes da morte. O ex-ditador se negou a usar o capuz destinado aos condenados à forca.
"A execução de Saddam Hussein terminou", anunciou a Al-Iraquiya em uma faixa na tela, sobre imagens com os versículos do Alcorão. "Foi enforcado até morrer", informou outra faixa na tela.
Saddam, derrubado em abril de 2003 após a invasão comandada pelo governo americano, foi condenado em novembro por crimes contra a humanidade pelas mortes de 148 xiitas de Dujail em 1982.
A apelação do ex-presidente tinha sido rejeitada na terça-feira pela Justiça iraquiana e uma última apelação, dirigida à Justiça americana, solicitando o adiamento da execução, também foi negada.
Incialmente, a emissora divulgou que, além do ex-presidente iraquiano, teriam sido executados o meio-irmão de Saddam Hussein, Barzan al-Tikriti, e Awad al-Bandar, o antigo presidente do Tribunal Revolucionário - também condenados pelo massacre de Dujail. Porém emissários iraquianos que assistiram à execução desmentiram a notícia em seguida, garantindo que apenas Saddam foi morto.
O Conselheiro Nacional de Segurança Muafaq al Rubai disse à Al-Iraquiya que os outros dois condenados só serão executados após o Aid al Adha, a festa muçulmana do Sacrifício, que termina na quinta-feira.
Reação à morte
Logo após a morte ser noticiada, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, classificou o enforcamento de "importante marco", mas alertou que ela não vai acabar com a violência no Iraque. "Levar Saddam Hussein à Justiça não vai acabar com a violência no Iraque, mas é um marco importante no caminho do Iraque para se tornar uma democracia que possa se governar, se sustentar e se defender", disse ele em comunicado de seu rancho no Texas.
Muitos iraquianos e descendentes de iraquianos comemoraram a execução no Iraque e nos Estados Unidos. Em Dearborn, Michigan, um grupo de americanos de origem iraquiana saiu às ruas com bandeiras e cartazes, antes mesmo da execução, para festejar. No Iraque, as forças americanas e locais estão em alerta para a possibilidade de uma onda de atentados após a morte do ex-líder, promovidos por grupos contrários à ocupação dos EUA.
Julgamento
O ex-ditador, que governou o Iraque com mão de ferro desde 1979 até sua queda, em abril de 2003, foi executado após ser declarado culpado por crimes contra a humanidade.
O julgamento, que durou mais de um ano, foi denunciado pelos defensores de Saddam e por juristas estrangeiros como um "processo político" viciado, em meio a assassinatos de juízes e advogados, e da duvidosa imparcialidade do tribunal.
Ao ser divulgado o veredicto, no dia 5 de novembro, o xeque Al Nadawi, líder do grupo tribal Baigat, ao qual pertencia o ex-ditador, previu: Saddam "viveu como um herói e morrerá como um herói".
Saddam era acusado ainda de ter ordenado e executado as campanhas militares de Anfal, no Curdistão (norte), entre 1987 e 1988, que provocaram a morte de 180 mil curdos.
Os advogados do ex-ditador lutaram até o final para tentar evitar a execução, recorrendo inclusive à Justiça dos Estados Unidos para que bloqueasse a transferência de Saddam às autoridades iraquianas.