Nos túneis subterrâneos, Julio Cesar já encontrou de excrementos a corpos de animais e pessoas. |
Com um salário de apenas US$ 400 (cerca de R$ 850), Julio Cesar vê as coisas mais nojentas. "As coisas mais estranhas são animais, cabeças de animais e pessoas mortas", diz o mexicano. "Infelizmente muitos corpos acabam aqui."
O trabalho de Julio Cesar é impedir que túneis de seis metros de diâmetro fiquem entupidos e inundem a cidade. "Eu já tirei tantas peças de carro ali de dentro que acho que poderia ter montado um carro inteiro."
É tão escuro lá embaixo que o funcionário e seus três colegas têm que usar o tato para se locomover. Usando roupas especiais, os homens retiram detritos com as mãos ou usando pedaços de pau.
Os mergulhadores recebem ar através de um tubo conectado à superfície e são presos por um cabo de segurança para impedir que sejam levados pela correnteza. Há 21 anos um homem morreu ao ser levado pelas águas sujas.
Vindo de uma família pobre com 10 irmãos, Julio Cesar não tinha dinheiro para pagar seus estudos e começou a mergulhar com 18 anos. "Eu gosto de mergulhar como um esporte. Como um emprego, gosto ainda mais", declara. "Meu emprego beneficia muitas pessoas."
Julio Cesar e seu time inspecionam 166 quilômetros de esgoto, por onde passam 35 mil litros de fluidos a cada segundo. Depois de cada turno, os mergulhadores lavam suas roupas com detergente para remover o fedor de urina e lixo podre.
Reuters