Estudo: 2006 é o sexto ano mais quente da história

Quinta, 14 de dezembro de 2006, 19h10


O ano de 2006 deve se tornar o sexto mais quente no mundo desde o início dos registros, há 150 anos, disse a Organização Meteorológica Mundial na quinta-feira, oferecendo mais sinais de uma tendência de aquecimento que a maioria dos cientistas atribui ao efeito estufa.

Todos os dez anos mais quentes da história foram registrados nos últimos 12 anos, segundo a agência meteorológica da ONU.

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A entidade disse que 2006 foi um ano marcado por graves secas e inundações no nordeste da África, por incêndios florestais nos EUA, chuvas torrenciais nas Filipinas, encolhimento do gelo ártico e o outono mais quente da história na Europa.

Com uma temperatura média 0,42 grau Celsius acima da média anual entre 1961-90, o ano que está terminando deve se tornar o sexto mais quente já registrado, segundo relatório preliminar da OMM baseado em dados até novembro. O ano mais quente foi 1998.

Michel Jarraud, secretário-geral da entidade, disse que em várias partes do mundo houve recordes de temperatura.

O aquecimento global é um assunto polêmico, mas a maioria dos cientistas atualmente concorda que as temperaturas médias do planeta podem ter subido de 2 a 6 graus Celsius neste século devido às emissões dos chamados gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono expelido por carros, fábricas e usinas termelétricas.

A entidade disse que em grande parte da Europa a temperatura neste outono foi mais de 3 graus acima do normal. "Foi o (outono) mais quente no Reino Unido desde o início dos registros, então podemos dizer, com segurança, que foi o mais quente desde o século 17", disse Jarraud. Foi também o outono mais quente na Holanda desde 1706 e na Dinamarca desde 1768.

A Austrália teve o dia mais quente da sua história em 1º de janeiro, além da primavera mais quente já registrada. O Brasil também vem sofrendo com ondas de calor.

O Canadá teve seu inverno e primavera mais amenos, enquanto nos EUA não há registros de um período tão quente entre janeiro e setembro.

Segundo Jarraud, o gelo no Ártico diminui quase 8,6% cento a cada década, ou 60 mil quilômetros quadrados - mais do que o tamanho da Suíça -por ano. "É uma diminuição rápida e significativa", afirmou.

A seca afetou mais de 10 milhões de pessoas no chamado Chifre da África, mas também houve as piores inundações na região em 50 anos, segundo o relatório.

A falta de chuvas também reduziu em 11% a safra de soja do Brasil e atingiu milhões de hectares de lavouras na China.

Quanto a furacões e tufões, o ano foi ameno, exceto na China, onde mais de mil pessoas morreram devido a tempestades tropicais, no pior ano em uma década.

A OMM previu que o atual fenômeno El Niño, de intensidade moderada, deve continuar provocando alterações climáticas mundiais pelo menos até o primeiro trimestre de 2007.

Phil Jones, chefe da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade East Anglia, na Grã-Bretanha, disse que o El Niño pode fazer com que 2007 supere 1998 como o ano mais quente desde o início dos registros.

Reuters
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Terra - Brasil
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