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Linha Vermelha pode ser gradeada contra arrastões

Quinta, 14 de dezembro de 2006, 01h57


Um dia depois do tiroteio que apavorou motoristas na Linha Vermelha, a prefeitura afirmou estar disposta a colaborar com a Secretaria de Segurança. A PM, em nota, pediu ajuda ao município para fechar com grades os acessos que têm permitido a passagem de traficantes do Parque Alegria, no Caju, para a via expressa. Nesta quarta-feira, a reportagem localizou cidadãos que ficaram sob fogo cruzado e relataram seus dramas.

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O pai de Karla Regina Salama, 34 anos, ouvia o barulho dos tiros pelo celular. Deitada no chão, aos prantos, a comerciante ligou para Tufic Salama para perguntar o que fazer. Por 10 minutos, muitas pessoas abandonaram carros e se esconderam atrás da mureta.

Segundo a prefeitura, apesar de a Linha Vermelha ser administrada pelo estado, a ajuda pode se tornar viável. No entanto, a PM precisa enviar ofício solicitando reunião. No documento, seria necessário o detalhamento da intervenção.

Atualmente, há no trecho grades frágeis, com buracos que permitem passagem para a pista. Segundo a PM, bandidos foram vistos atravessando a via expressa. Policiais do Batalhão de Polícia Rodoviária foram acionados e houve troca de tiros. Karla jura que não passará mais pela via expressa: "Linha Vermelha nunca mais. Eu podia levar um tiro a qualquer momento".

O taxista P.S.C, 57 anos, também precisou se esconder atrás do carro em que levava um piloto de avião para a Ilha do Governador. Ele contou que os motoristas ficaram na linha de fogo, já que PMs se posicionaram sobre o Viaduto Mário Henrique Simonsen, trocando tiros com bandidos da favela. "Nunca me senti tão indefeso. Os tiros partiam de todo lado. Vi muita gente chorando e até crianças no chão".

Máquina fotográfica à mão, o contador e professor Reynaldo Romero Valle, 54 anos, fez as fotos publicadas em O Dia. Ele seguia em seu carro para Bonsucesso, onde trabalha, e também enfrentou o pânico. Mesmo com medo, tentou acalmar outras pessoas. "Foi assustador! Graças a Deus ninguém ficou ferido ou carro foi alvejado. A impressão que tive foi a de que os bandidos queriam atingir os policiais", relatou Reynaldo.

Morador do bairro de Rocha Miranda, o representante de vendas Renato de Souza, 34 anos, nunca tinha escutado tantos tiros como na tarde de terça-feira. Preso na Linha Vermelha, dentro de sua Blazer, ele procurou se manter tranqüilo para ajudar outras pessoas que estavam mais nervosas.

O Dia
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Terra - Brasil
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