Cientistas britânicos desenvolvem fígado artificial

Terça, 31 de outubro de 2006, 13h41


Cientistas de uma universidade inglesa desenvolveram um fígado humano artificial em miniatura em uma grande inovação médica, informou a imprensa britânica nesta terça-feira.

A expectativa é que esses minifígados possam ser usados para testar medicamentos, reduzindo a necessidade de experimentos com animais, para ajudar a reparar fígados danificados e eventualmente produzir órgãos inteiros para transplantes, noticiou o jornal Daily Mail.

O órgão, que tem o tamanho da unha de um polegar, foi desenvolvido usando células tronco do sangue tirado de cordões umbilicais. O professor Colin McGuckin, especializado em medicina regenerativa, produziu o fígado artificial com o médico Nico Forraz na Universidade de Newcastle, no nordeste da Inglaterra.

Enquanto outros cientistas já desenvolveram células do fígado, a equipe de Newcastle foi a primeira a criar seções de tecido de tamanho razoável a partir de células-tronco do cordão umbilical, informou o jornal.

A dupla extraiu sangue do cordão umbilical de bebês recém-nascidos e colocou em um biorreator desenvolvido pela Nasa, que reproduz os efeitos de falta de gravidade, permitindo às células se multiplicarem mais rapidamente.

Produtos químicos e hormônios foram adicionados para impulsionar as células a se tornarem tecido hepático. "Nós tiramos as células-tronco do cordão umbilical e fizemos pequenos minifígados", disse McGuckin. "Então, os demos a companhias farmacêuticas e elas podem usá-los para testar novos medicamentos", acrescentou.

"Quando uma farmacêutica desenvolve uma nova droga ela primeiro o testa em células humanas e depois em animais antes de começar testes em humanos", disse.

"Sair do teste em animais para humanos é um grande salto e ainda há riscos", acrescentou. "Mas ao usar os minifígados que desenvolvemos não há necessidade de fazer testes em humanos ou animais".

Potencialmente poderiam ser usados como máquinas de diálise, poupando tempo para o fígado do paciente se regenerar ou para os médicos encontrarem um fígado substituto.

O professor Ian Gilmore, especialista em fígado no Royal Liverpool Hospital no noroeste da Inglaterra, disse que a equipe de Newcastle deu "um grande salto ético" ao não requerer embriões pra produzir tecido.

"É excitante porque existe uma escassez errada de tratamentos disponíveis para pessoas com doença hepática", afirmou.

Estima-se que até 10% da população britânica tenha problemas hepáticos, a maioria relacionados a fatores como obesidade e alcoolismo.

AFP
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Terra - Brasil
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