Os confrontos se estenderam durante horas. A confusão começou quando grupos de desconhecidos atacaram a tiros as barricadas da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), que pede a renúncia do governador Ulises Ruiz. O cinegrafista americano Bradley Roland Will (inicialmente identificado como Brad Wheyler) levou um tiro no peito e morreu quando era levado a um hospital público.
A morte de Will foi confirmada pelo chefe da Cruz Vermelha de Oaxaca, Javier Pérez. Ele afirmou que o cinegrafista "chegou morto" às instalações médicas.
A promotora de Oaxaca, Lizbeth Caña Cadeza, disse em entrevista coletiva que três pessoas morreram por causa dos tiroteios de hoje: Will e os mexicanos Esteban Zurita López e Emilio Alonso Fabián. Ela acrescentou que uma mulher sem ligação com o conflito, Eudocia Olivera Díaz, morreu quando era atendida numa ambulância, que não conseguiu chegar ao hospital devido às barricadas. A embaixada dos EUA confirmou a morte de Bradley em comunicado que lido pela rede Televisa.
Um dos feridos foi identificado pelas testemunhas como Osvaldo Ramírez, fotógrafo do jornal Milenio,/i>, que levou um tiro no pé.
Segundo a imprensa, houve cerca de 20 confrontos com troca de tiros desde a tarde de sexta-feira. Os incidentes mais violentos aconteceram em El Rosário, município de Santa Lúcia, e nas instalações da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, onde um grupo de professores ocupa os escritórios.
Horas antes, a APPO havia divulgado um ultimato ao governador Ulises Ruiz, exigindo a sua renúncia.
Os militantes e simpatizantes da APPO reforçaram suas barricadas durante o dia, bloquearam estradas e forçaram o fechamento de algumas lojas de departamentos.
Os ativistas enfrentaram com pistolas, paus, machados e pedras um grupo, que acusaram de ser formado por pistoleiros e policiais à paisana.
Na capital mexicana o ministro de Governo, Carlos Abascal, se reuniu com dirigentes da seção 22 do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educação (SNTE), que iniciou os protestos em Oaxaca e que decidiu suspender a greve após cinco meses.
Ao fim da reunião, a Secretaria de Governo emitiu um comunicado condenando a violência e pedindo ao Governo de Oaxaca uma investigação.
"A violência que afetou vidas humanas e a tranqüilidade de todo o povo não pode ficar impune. É urgente que o Governo do estado esclareça os fatos das últimas horas e verifique as responsabilidades para punir os responsáveis com todo o rigor da lei", exigiu o Ministério.
O prédio do Ministério de Governo na Cidade do México está fortemente protegido por forças de segurança federais para evitar que os membros da APPO bloqueiem os acessos.
Com a decisão pelo fim da greve, o movimento civil em Oaxaca fica dividido. A APPO insiste em manter suas ações até a renúncia do governador Ruiz.
O conflito começou dia 22 de maio, com uma greve de professores em reivindicação de aumentos salariais, e se complicou com a repressão policial, em 14 de junho. Organizações sociais aderiram ao movimento, incluindo nas exigências a renúncia de Ruiz.
EFE