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China também defende punição à Coréia do Norte

Terça, 10 de outubro de 2006, 19h26

Evelyn Leopold e Michelle Nichols


A China, principal aliada da Coréia do Norte, se juntou na terça-feira a outras potências mundiais nos pedidos por uma dura resposta ao teste nuclear anunciado por Pyongyang.

China e Rússia, que fazem fronteira com a Coréia do Norte, se reuniram com os outros três países que têm poder de veto no Conselho de Segurança (EUA, Grã-Bretanha e França) para discutir as sanções propostas por Washington e Tóquio para pressionar os norte-coreanos a abandonarem seu programa nuclear.

O embaixador chinês na ONU, Wang Guangya, disse a jornalistas que "tem de haver ações punitivas" à Coréia do Norte, mas não adiantou quais das sanções propostas pelos EUA ele vai apoiar.

"Precisamos ter uma reação firme, construtiva e apropriada, mas prudente, à ameaça nuclear da Coréia do Norte", acrescentou Wang.

Em Moscou, o ministro russo da Defesa, Sergei Ivanov, disse que o teste (ainda não confirmado por especialistas internacionais) foi "um golpe colossal" no regime de não-proliferação nuclear, mas, a exemplo da China, insistiu que uma eventual resolução da ONU não cite o uso da força — o que aliás ninguém na ONU propôs.

Ainda não há votação marcada no Conselho nem acordo sobre as sanções militares e financeiras. Os embaixadores do Japão, Kenzo Oshima, que preside o Conselho neste mês, e dos EUA, John Bolton, disseram que houve progressos, mas que algumas diferenças persistem.

Em Bruxelas, um parlamentar norte-coreano em visita à União Européia defendeu os testes, dizendo que seu país "está sob severas sanções e ameaças dos Estados Unidos há mais de 60 anos".

"Tivemos de tomar medidas para obter uma intimidação nuclear contra os Estados Unidos", disse Ri Jong-hyok, para quem o teste era "questão de vida ou morte".

A Casa Branca vem colocando em dúvida a real ocorrência do teste e na terça-feira tentou minimizar sua importância. A Casa Branca disse que os especialistas levarão dias para saber se realmente houve uma detonação militar subterrânea na Coréia do Norte.

A secretária de Estado Condoleezza Rice disse que os EUA ainda estão avaliando o que aconteceu, mas afirmou que a Coréia do Norte cruzou "uma linha importante" ao fazer o anúncio. "Temos de levar a afirmação a sério, porque é uma afirmação política, nada mais", disse ela à CNN.

Sob anonimato, uma fonte de inteligência dos EUA disse que a "hipótese de trabalho" das autoridades é de que se tratou de um teste nuclear mal-sucedido.

Analistas dizem que, ao anunciar o teste, a Coréia do Norte tenta reverter as restrições financeiras dos EUA ao país e pressionar Washington a negociações diretas. Os EUA insistem em manter as negociações pluripartites (envolvendo também China, Rússia, Japão e Coréia do Sul), abandonadas no ano passado por Pyongyang, justamente por causa do ataque norte-americano às finanças norte-coreanas no exterior.

"Ainda estamos dispostos a abandonar os programas nucleares e retornarmos às negociações a seis partes se os Estados Unidos tomarem as medidas correspondentes", disse em Pequim um funcionário norte-coreano não identificado, segundo a agência sul-coreana de notícias Yonhap.

A resolução redigida pelos EUA na ONU impõe inspeções internacionais a todas as cargas que entrem e saiam da Coréia do Norte, em busca de materiais nucleares. Diplomatas dizem que esse deve ser o aspecto mais polêmico das sanções.

A proposta também inclui um embargo armamentista completo, a proibição da venda de itens de luxo à Coréia do Norte e a suspensão da transferência e desenvolvimento de armas de destruição em massa.

O Japão propôs um embargo total aos produtos norte-coreanos e a proibição de que aviões e navios do país aterrisem ou aportem em países estrangeiros. As propostas japonesas são emendas à resolução preparada pelos EUA.

Reuters
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Terra - Brasil
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