O porta-voz Abu Abeer disse que todo Governo que reconhecer o Estado judeu "será alvo de operações".
Haniyeh, primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP) se disse otimista hoje acerca da possibilidade de formar um Governo de unidade entre sua organização, o Hamas, e o Fatah.
Abbas, presidente da ANP, e líder do movimento nacionalista Fatah, na oposição parlamentar, acusou Haniyeh ontem de retroceder as negociações realizadas até agora ao ponto de partida. As conversações devem ser retomadas amanhã.
Segundo Haniyeh, durante as negociações foram feitos "grandes progressos". Ele assegurou que "ainda é possível" criar um gabinete de unidade entre ambos os movimentos.
As primeiras negociações para um Governo de união a fim de superar a crise econômica causada pela suspensão das ajudas dos doadores internacionais da ANP foram concluídas há quase duas semanas.
O porta-voz do Governo de Haniyeh, Ghazi Hamed, disse hoje que o Hamas segue comprometido com o estipulado com o Fatah para o novo Governo, mas, esclareceu, no que concerne ao reconhecimento de Israel, "é necessária uma consulta entre todas as facções".
Uma das condições que a comunidade internacional exige para reconhecer o Governo do Hamas e retomar as transferências de dinheiro - crucial para manter o aparelho da administração pública - é a aceitação da existência de Israel, a fim de impulsionar o estagnado processo de paz.
Entre as facções que ameaçam atacar o Governo estão os Comitês Populares da Resistência, alguns militantes radicais do Fatah, e grupos islâmicos mais reduzidos. O braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezzedine al-Qassam, que conta com milhares de efetivos, ficou de fora do anúncio.
O presidente Abbas disse na semana passada à Assembléia Geral da ONU, em Nova York, que o próximo Governo de união reconhecerá Israel e respeitará os acordos que a ANP e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) firmaram com o Estado judeu em 1993.
No dia seguinte, o primeiro-ministro Haniyeh disse aos jornalistas que o Hamas não reconhecerá Israel, e que ele não liderará um Governo palestino que o faça.
O chefe dos negociadores palestinos no agora estagnado processo de paz com Israel, Saeb Erekat, que acompanhou Abbas nos Estados Unidos e na ONU, esclareceu hoje que o presidente dirá amanhã a Haniyeh que "o Governo de unidade (entre Hamas e Fatah) terá que aceitar as exigências da comunidade internacional".
Outras duas exigências são o desarmamento da milícia do Hamas, pois a ANP conta com suas próprias forças de segurança em Gaza e na Cisjordânia. Também se exige o respeito a todos os acordos firmados com Israel.
EFE