Seria possível colonizar Marte ou Vênus?

Terça, 10 de junho de 2003, 13h22
A colonização de outros planetas está longe da realidade, mas próxima da ficção científica
A colonização de outros planetas está longe da realidade, mas próxima da ficção científica
10 de junho de 2003
Terra


Dadas as condições atuais o homem poderia implementar colônias nos planetas vizinhos de Marte e Vênus?

Seja por necessidade (a Terra ficou pequena) ou por desejo de imitar os deuses, os homens já começaram a pensar em tornar habitáveis nossos vizinhos planetários, Marte e Vênus. De acordo com os cientistas, são estes planetas os que oferecem maiores oportunidades para colonização, mas mesmo assim são muito diferentes do nosso.

Para que a vida humana se desenvolva de forma normal, são necessários uma temperatura média situada entre os 0ºC e 30ºC, uma atmosfera respirável, pressão suficiente, água abundante, etc. Estas características não estão presentes em Vênus ou Marte, por isto os cientistas propõem transformar os processos que governam seus climas e melhorar a respirabilidade de suas atmosferas, fazendo-os habitáveis de forma direta, sem que precisemos recorrer à ajuda de escafandros ou cidades cobertas por domos.

Sabemos que há alguns parâmetros dificilmente modificáveis, como o período de rotação de um planeta, que marca a transição entre o dia e a noite, ou a atração gravitacional. Por isso, por enquanto nos conformaremos em obter um mínimo de habitabilidade, sabendo que nunca será possível substituir em sua integridade a nossa velha Terra.

A transformação de Marte
Marte parece o mais óbvio candidato para uma transformação. A duração do dia marciano é quase idêntica ao da Terra, possui uma atmosfera substancial e não está completamente congelado. Além disto, parece conter água em seu subsolo. No entanto, a modificação das condições que imperam em sua superfície não é tão fácil como poderia parecer.

Marte é um planeta bastante frio. Para aumentar sua temperatura global necessitaríamos provocar o conhecido efeito estufa em sua atmosfera. Na Terra, isto ocorre em conseqüência de altas concentrações de dióxido de carbono e outros gases como o metano, que impedem que o calor refletido pela superfície regresse ao espaço.

Casualmente, a atmosfera marciana é composta por CO2, mas durante o inverno este elemento se congela e precipita-se sobre a superfície, principalmente nos pólos. Se conseguíssemos que o dióxido de carbono não se congelasse e que sua presença aumentasse os níveis atmosféricos de calor, uma vez alcançada uma temperatura adequada, precisaríamos introduzir oxigênio e nitrogênio na atmosfera para torná-la respirável. Estes gases não produzem efeito estufa e assim a temperatura voltaria a baixar. Manter a quantidade suficiente de CO2 para que isto não ocorra não é viável posto que para ser respirável, o ar não pode conter mais de um 1% de CO2.

Se conseguíssemos vencer este desafio Marte poderia tornar-se habitável. Esta transformação, no entanto, deverá ser permanente e muito bem monitorada já que as condições naturais não são adequadas para manterem-se por si mesmas.

A colonização de Vênus
Vênus mostra uma face totalmente diferente do problema da habitabilidade para nossa espécie. As condições atuais no planeta são muito mais complexas.

Há muito tempo, quando seus oceanos de água evaporaram, o dióxido de carbono permaneceu na atmosfera venusiana ao invés de precipitar-se como ocorreu na Terra. Dado isto, o hidrogênio escapou para o espaço e Vênus se converteu em um magnífico exemplo do efeito estufa, com temperaturas altíssimas e pressões ainda maiores, situação totalmente contrária a de Marte.

A única solução hipotética lançada até agora para este "entrave para colonização" seria interromper o fluxo de luz solar que ilumina Vênus. Mesmo assim, o planeta ainda levaria 50 anos para esfriar por si só e seria completamente escuro.
Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
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