O porta-voz dos constituintes da Podemos, José Antonio Aruquipa, declarou à Efe que se forem concedidos plenos poderes à Assembléia, o Governo "tentará fechar o Congresso" e "facilitar" a situação para "que o presidente Evo Morales governe com decretos denominados constitucionais".
"Isto nos lembra à época da ditadura, quando se governava com decretos", acrescentou Aruquipa.
Porém, porta-vozes do Governo negaram tal possibilidade. E outras forças políticas, como a centrista União Nacional (UN), consideraram exagerada a denúncia.
Em Sucre, capital oficial da Bolívia, os constituintes debatem há três semanas se a Assembléia é "originária", com poderes sobre as demais instituições do Estado, como pede Morales, ou "derivada", com um mandato específico para redigir uma Carta Magna que só entrará em vigor quando for ratificada em um referendo.
O governista Movimento Ao Socialismo (MAS), que tem a maioria na Assembléia, propõe que esta tenha poderes "originários" e "fundacionais", o que lhe conferiria plenos poderes e a tornaria capaz até de fechar o Congresso e de destituir Morales, como o mesmo sugeriu várias vezes.
Os opositores, por outro lado, pedem respeito à lei de convocação da Constituinte, que estabelece que a Assembléia não pode interferir nos outros poderes constituídos.
EFE