O matemático afirmou em entrevista coletiva, antes de pronunciar uma conferência no Congresso Internacional de Matemática (ICM 2006) - realizado em Madri desde terça-feira passada -, que "não há dúvidas de que Perelman é o único que chegou à solução, mas não poderia ter feito isso sem o trabalho do americano Richard Hamilton".
Morgan, que trabalha na Universidade de Columbia (EUA), é um dos autores do livro "O Fluxo de Ricci e a Conjectura de Poincaré" - ainda não publicado -, que explica os argumentos usados por Perelman em termos destinados a licenciados e doutorados.
O russo colocou sua proposta na internet e sua explicação ao vivo aconteceria no ICM 2006, mas este não apareceu e também rejeitou a medalha Fields, considerada o Nobel da Matemática, que foi concedida a ele na terça-feira passada.
Perelman anunciou há três anos que tinha conseguido uma explicação ao chamado "problema de geometrização" de Hamilton, que implica em uma solução para a Conjectura de Poincaré, enunciada pelo francês Henri Poincaré em 1904.
O matemático americano disse que "Perelman chegou ainda mais longe, subindo a ombros de gigantes, mas se apoiou no grande Hamilton, que inventou a base desta solução com a definição do ''Fluxo de Ricci''".
Morgan definiu o feito como "extraordinário", "não só para Perelman, mas também para a matemática, já que é um sinal de que algo progrediu nos últimos cem anos".
Além do livro de Morgan, existem outros dois artigos sobre a prova de Perelman: o dos matemáticos Bruce Kleiner e John Lott, e o dos chineses Zu Xiping e Cao Huaidong, este último publicado na edição de junho do "Asian Journal of Mathematics", revista americana sobre a ciência na China.
O jornal oficial "Diário do Povo" chegou a afirmar que os chineses tinham resolvido a Conjectura de Poincaré, enquanto a estatal Academia Chinesa de Ciências afirmou que o russo "estabeleceu as linhas gerais para prová-la, mas não disse especificamente como resolvê-la".
No entanto, na opinião de Morgan, "só Perelman, graças a sua capacidade de resolver problemas, conseguiu encontrar a solução, e espero que a comunidade científica leia as mil páginas disponíveis sobre sua solução e dêem validade como teorema", acrescentou.
"Toda esta polêmica, se existe, não vem do artigo escrito por Xiping e Huaidong, mas do barulho criado ao redor, porque o que fizeram é entender o trabalho de Perelman", acrescentou Morgan.
Sobre o livro que Morgan escreveu com o também matemático Gang Tian, que trabalha no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), o autor disse que seu trabalho se diferencia dos outros dois artigos porque "se concentra no terceiro artigo publicado por Perelman, que dá argumentos muito sutis para resolver a conjectura".
"O que fazemos é extrair da solução o trabalho de Hamilton", acrescentou Morgan, que acredita que a conjectura dará lugar a certas mudanças, especialmente em âmbitos como a física e álgebra.
EFE