Vilma sai de maca do Deic |
O delegado da Polícia Civil, Antônio Gonçalves, afirmou que Vilma estava deitada embaixo de um sofá em uma chácara no Setor American Park, em Aparecida de Goiânia, quando foi presa por volta das 9h. O local é de propriedade da família de Ana Machado Borges, amiga de Vilma há 28 anos, que também foi detida por colaborar com a fuga. Denúncias anônimas teriam orientado a polícia sobre a localização da empresária.
Como estava passando mal, Vilma foi levada para o Hospital de Urgências de Goiânia em um carro dos Bombeiros. Segundo o diretor-geral do hospital, Luciano Sardinha, a empresária estava com pressão alta, de 20 por 14. Ela foi submetida a uma tomografia e foi medicada para tratar a crise de hipertensão. "Foi constatado pelo médicos e pelos exames que não há necessidade de internação da dona Vilma", afirmou. Ela já pode voltar à Deic, onde deverá prestar depoimento, quando reproduzirá os 14 dias em que esteve em fuga.
Vilma deverá ficar presa na Casa de Prisão Provisória. Ela é acusada de ter seqüestrado Pedrinho de uma maternidade de Brasília há 17 anos. Aparecida Fernanda teria sido levada de uma maternidade de Goiânia em 1979.
O delegado Gonçalves acredita que a prisão de Vilma Martins o ajudará a montar o último pedaço do quebra-cabeças em que se transformou os casos de seqüestros dos bebês Pedrinho e Aparecida. "Ainda falta saber quem ajudou a Vilma no rapto da Aparecida Fernanda", disse. A mulher, que ainda está sendo procurada, é morena e vestia um jaleco azul no momento em que retirou da maternidade o bebê. "Esta é a terceira fase das investigações e do inquérito policial envolvendo a empresária", afirmou.
A suspeita da polícia é que essa mulher poderia não só ter tirado a criança dos braços da mãe, como também ter levado o bebê até o Hospital Paulo de Tarso, em Itaguari. Foi neste hospital que a empresária Vilma Martins, com ajuda do médico Rubens Rodrigues, já falecido, forjou a cesariana de Roberta Jamilly Martins Borges, hoje com 24 anos. Depois, em 1981, a menina foi registrada como tendo sido criada e registrada, como filha legítima, pela empresária. Enfermeiras que trabalhavam no hospital de Itaguari na época disseram à polícia que uma mulher morena, usando lenço na cabeça, deixou a criança na unidade e desapareceu.
Entenda o caso Pedrinho
O caso Pedrinho ficou nacionalmente conhecido em 1986, ano de nascimento do garoto, quando os pais biológicos, Jayro e Maria Auxiliadora Tapajós, promoviam buscas ao filho seqüestrado.
Dezesseis anos depois, Gabriela Azeredo Borges, de 19 anos, neta do pai adotivo de Pedrinho, associou a imagem do garoto, ainda recém-nascido, no site do SOS Criança. No dia 21 de outubro de 2002, Gabriela associou a foto de Jayro Tapajós, também veiculada pelo site, com Pedrinho, e reconheceu semelhanças.
Gabriela ligou então para o SOS Criança e, orientada pela equipe da instituição, recolheu um fio de cabelo de Pedrinho para realização do exame de DNA. O teste comprovou que o garoto na verdade era filho de Jayro e Maria.
Além do exame de DNA, que comprovou a verdadeira paternidade do garoto, Maria Auxiliadora também reconheceu Vilma Costa como sendo a mulher que havia seqüestrado Pedrinho. No entanto, Vilma não pôde ser processada pelo seqüestro porque o crime prescreveu em 1994. O Ministério Público pediu então a reabertura do inquérito.
Pedrinho conheceu os pais biológicos em 23 de novembro do ano passado, em clima de muita emoção.
O caso Roberta Jamile
As suspeitas sobre a possibilidade de Aparecida Fernandes Ribeiro da Silva também ter sido seqüestrada por Vilma e batizada como Roberta Jamilly, quando criança, cresceram com a elucidação do caso Pedrinho.
Uma outra investigação foi aberta sobre o caso e um exame de DNA realizado com a saliva de Roberta Jamilly, a partir de uma ponta de cigarro deixada em uma delegacia, em um dia de depoimento, comprovou que a jovem não é filha de Vilma Costa, mas de Francisca Maria da Silva.
A farsa produziu outras conseqüências. Durante 20 anos, o fazendeiro Jamal Rassi acreditou ser o pai de Roberta Jamilly. Com a descoberta do caso pela polícia, o fazendeiro processou a empresária. Ele quer indenização por danos morais e materiais. Durante vários anos, disse ele, foi obrigado a dar dinheiro para sustentar a filha que não era sua.