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Levante do Gueto Varsóvia completa 60 anos

Sábado, 19 de abril de 2003, 12h12


O levante do gueto de Varsóvia, que completa hoje 60 anos, ainda é lembrado como uma façanha dos judeus que, cercados pelos nazistas, lutaram para defender sua honra. Em entrevista concedida ao jornal Gazeta Wyborcza, o último líder vivo do levante, Marek Edelman, relata a façanha dos judeus condenados a morte que, sem armas, levaram 400 membros do exército alemão à morte e deixaram outros mil feridos.

"Os nazistas isolaram uma parte de Varsóvia na qual, normalmente, viviam aproximadamente 150 mil pessoas e amontoaram nela 350 mil seres humanos", explica Edelman. "Presenciei, sem poder fazer nada, a morte do meu pai, que por falta de dinheiro não pôde receber uma sepultura digna, e a única coisa que pude fazer por ele foi tirar seu corpo da rua para que o recolhessem e o enterrassem numa vala comum", lembra o ex-combatente judeu.

O gueto vivia do que as crianças, que cruzavam ilegalmente o muro, conseguiam levar. Dezenas delas perderam a vida tentando passar para a parte nobre da cidade ou voltando dela para o gueto, onde estavam suas famílias. "Eu sabia desde o primeiro momento que o gueto fora organizado pelos nazistas para exterminar de forma metódica a população judaica de Varsóvia", diz Edelman.

"Presenciei um alemão colocando três meninas em fila e atirando contra elas. Queria se convencer de que poderia matá-las com apenas um tiro. Conseguiu e se comportou como se tivesse realizado um ato heróico. Ele se sentia muito satisfeito de ter contribuído para o plano de extermínio definitivo dos judeus", declara o ex-combatente.

"Nos revoltamos sem esperança alguma, mas com a firme intenção de humilhar os nazistas e recuperar assim a nossa própria dignidade", afirma. "Acredito que o conseguimos, porque os nazistas tiveram que lançar contra nós, que éramos 200 jovens mal armados, nada menos do que 3 mil soldados dotados de armas pesadas e bons equipamentos", diz o ex-chefe da Organização de Combate Judaica.

Para Edelman, o Holocausto provocou uma grande mudança na política mundial, como demonstram as intervenções internacionais na antiga Iugoslávia, no Timor Leste, no Afeganistão e no Iraque. Segundo ele, essas ações confirmam que o mundo já não tolera as ditaduras.

Os nazistas criaram em Lublin, Bialystok, Lodz, Cracóvia, Varsóvia, Lomza, Biala Podlaska e - muitas outras cidades da Polônia ocupadas - guetos nos quais a população judaica foi colocada para um posterior envio para os campos de extermínio. Milhões de judeus de 27 países foram aniquilados nos campos de extermínio de Auschwitz, Birkenau, Stutthoh, Majdanek, Zgierz e Treblinka.

Dos 3,5 milhões de judeus que viviam na Polônia em 1939, ficaram vivos após a segunda guerra mundial apenas algumas centenas de milhares. No dia 29 de abril, os presidentes de Israel, Moshe Kacaw, e da Polônia, Aleksander Kwasniewski, participarão da Marcha dos Sobreviventes, simbólico desfile de milhares de judeus e poloneses que lembram as vítimas do Holocausto percorrendo o quilômetro que separa os antigos campos de extermínio de Auschwitz e Birkenau.

EFE
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Terra - Brasil
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