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Governo egípcio discute possível renúncia de Mubarak, diz premiê

Médicos e outros profissionais em greve se uniram aos manifestantes no 17º dia de protestos contra o presidente no Cairo.

10 jan 2011
13h41

Médicos e enfermeiras se juntaram aos protestos na Praça Tahrir

Uma possível renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak, está sendo discutida pelas lideranças do país, revelou o premiê do Egito, Ahmed Shafiq, nesta quinta-feira.

Em entrevista exclusiva ao serviço árabe da BBC, Shafiq disse que a decisão quanto a se Mubarak deixará ou não o poder será tomada em breve.

O secretário-geral do partido do presidente (Partido Nacional Democrático), Hossan Badrawi, também disse à BBC que "espera" que Mubarak transfira o poder a seu vice, Omar Suleiman.

Ele acrescentou que Mubarak provavelmente fará um pronunciamento à nação ainda nesta quinta-feira.

Ao mesmo tempo, milhares de pessoas seguiam concentradas no centro do Cairo para pedir a renúncia de Mubarak, com os protestos engrossados por grupos de médicos e outros trabalhadores em greve.

Grevistas

Vestidos de branco, grupos de médicos desfilaram pela Praça Tahrir, onde se concentram os protestos no Cairo, ao lado de outros manifestantes.

Um importante hospital do Cairo teria sido obrigado a fechar nesta quinta-feira após cerca de 3 mil de seus funcionários cruzarem os braços.

Motoristas de ônibus, advogados e trabalhadores do setor têxtil também anunciaram paralisações nesta quinta-feira na capital, além de outros setores espalhados por todo o país.

Milhares de pessoas vêm participando de protestos diários contra Mubarak desde o dia 25 de janeiro. Muitos manifestantes acampam à noite no local.

Os manifestantes voltaram a se concentrar hoje em grande número na praça Tahrir apesar do clima adverso e das sugestões de que os líderes esperam concentrar as forças para um grande protesto na sexta-feira.

Apoio

Numa indicação de que o apoio a Mubarak vem caindo dia a dia, o jornal pró-governo Al Ahram publicou nesta quinta-feira um suplemento em apoio aos protestos populares.

Organizações de defesa dos direitos humanos acusam o governo de intensificar a repressão aos protestos, aumentando número de detenções de ativistas de oposição.

Um representante da organização Human Rights Watch disse à BBC que a polícia militar egípcia já prendeu dezenas de jornalistas e manifestantes.

O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, indicado para o cargo por Mubarak após o início da crise, advertiu os manifestantes contra greves e atos de desobediência civil, afirmando que poderia haver "caos" se o Exército e as forças de segurança forem obrigados a agir contra os protestos.

As negociações abertas pelo governo com a oposição no último fim de semana não evoluíram muito. Grupos opositores afirmam que as ofertas de abertura feitas pelo governo não são suficientes.

O ativista e executivo do Google Wael Ghonim, que se tornou uma figura central nos protestos depois de ser solto na segunda-feira após 12 dias de detenção, afirmou nesta quinta-feira que não tem planos de se envolver com a política mais do que o necessário.

"Eu prometo a todos os egípcios que voltarei à minha vida normal e não me envolverei com a política quando os egípcios conquistarem seus sonhos", afirmou Ghonim em uma mensagem postada no Twitter.

Emergência

Na noite desta quarta-feira, o ministro do Exterior do Egito, Ahmed Aboul Gheit, rejeitou o que chamou de tentativas do governo americano de impor sua vontade sobre o governo egípcio.

Em entrevista à rede de TV americana PBS, Gheit disse ter ficado "atônito" ao saber das declarações do vice-presidente americano Joe Biden, que na noite de terça-feira havia pedido que o governo egípcio suspendesse imediatamente o estado de emergência em vigor há 30 anos no país.

"Eu fiquei realmente atônito, porque neste momento, enquanto falamos, há 17 mil prisioneiros soltos nas ruas após escapar de prisões que foram destruídas. Como vocês podem me pedir para dissolver o estado de emergência enquanto estou em dificuldades?, disse o ministro.

Também na quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o governo do Egito deve "fazer mais" para atender às exigências da população e que as medidas tomadas até agora não atingem nem mesmo o limite mínimo exigido pelos manifestantes.

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