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Governo chinês firma acordo com manifestantes de Wukan

22 dez 2011
11h19
atualizado às 11h23

Depois de protagonizar o protesto em massa mais prolongado da China nos últimos anos por conta de uma controversa desapropriação de terra, o povoado de Wukan alcançou um incomum acordo com as autoridades chinesas para pôr fim ao seu descontentamento.

O pacto firmado encerra quase quatro meses de conflitos, os quais se intensificaram nas últimas duas semanas depois que um dos representantes deste povoado morresse sob custódia das autoridades, informou nesta quinta-feira a imprensa de Hong Kong.

O acordo alcançado entre os agricultores e pescadores de Wukan com as autoridades de sua jurisdição, em Shanwei, contempla também a libertação de outros quatro líderes rebeldes que foram detidos durante os protestos.

A imprensa oficial chinesa, que não costumava dar vozes e nem retratar os manifestantes de Wukan, começou a abordar o caso na última quarta-feira, quando se esperava a confirmação do acordo.

O "Diário do Povo", porta-voz do Partido Comunista que governa China desde 1949, criticou nesta quinta-feira às autoridades de Wukan por não "atender as demandas razoáveis dos camponeses", o que provocou uma onda de violência.

Nas últimas semanas, os camponeses conseguiram desbancar o discurso de Xue Chang, secretário do Partido que governou durante 40 anos o povoado de Wukan, após não terem recebido as compensações legais pela desapropriação de seus cultivos, a principal fonte de renda do povoado.

Esta mesma situação é vivida por outros 50 milhões de camponeses, os quais perderam suas terras na última década para dar passagem ao desenvolvimento urbanístico e industrial e, por isso, que a manifestação de Wukan poderia se estender facilmente para outras regiões, como uma espécie de "Ocupa China".

Na mesma linha, o jornal nacionalista "Global Times" (versão inglesa) apontou nesta quinta-feira que os Governos locais "devem levar a sério as divergências do povo e mostrar uma atitude responsável em relação a suas reivindicações", já que "este tipo de disputa deverá aumentar".

EFE   

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