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Fórum Social: organizadores querem mobilização permanente

25 jan 2010
14h22
atualizado às 16h12

A defesa da unidade de propostas da sociedade e da mobilizaçãopermanente das organizações sociais marcaram as discussões de aberturado Fórum Social Mundial (FSM), nesta segunda-feira, em Porto Alegre. Reunidos na "Mesa de Saudação do Fórum Social Mundial 10 anos Depois Grande Porto Alegre", os organizadores do evento falaram sobre os desafios e avanços do encontro, que completa dez anos, e acirraram as críticas ao neoliberalismo.

Um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, destacou o papel do Fórum diante do enfraquecimento do neoliberalismo, após a crise financeira internacional, que desarticulou mercados e exigiu a intervenção dos Estados. Para o ativista, o Fórum precisar ser fortalecido como espaço de mobilização. "Continuamos com uma hegemonia total do capital, precisamos derrotá-lo. Vivemos em uma situação em que a maioria dos governos continua de direita, inclusive em Porto Alegre, onde o Fórum Social Mundial nasceu", disse.

Para Raffaella Bollini, representante do Fórum Social Europeu, é necessário "aprofundar a discussão com os movimentos sociais e com a sociedade civil para romper com essa sociedade hegemônica. Como uma redeque tem ideias para salvar o mundo, temos que colocá-las em prática."

O empresário Oded Grajew, considerado o "pai" do FSM, também defendeu uma mudança de consciência individual e a articulação em torno de temas comuns, destacando a importância da "mobilização constante, para que as propostas do Fórum se transformem cada vez mais em políticas públicas".

Cândido Grybowski, coordenador do Instituto Brasileiro deAnálises Econômicas e Sociais (Ibase), falou sobre aformação de uma "consciência global", forjada nesses dez anosde FSM. "O mais importante é 'desimperializar' nossas cabeças para umasolução global", disse. Grybowski destacou ainda a importãncia da rotatividade do evento, que já passou pela Índia, Venezuela, Quênia, e voltou ao Brasil em 2009, na edição de Belém (PA).

Fórum Econômico Mundial
O ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, que esteve à frente do governo nas primeiras edições do FSM, avaliou que diante do novo cenário sócio-econômico, o desafio de refletir sobre o seu papel é ainda maior para o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos, na Suíça, contra o qual o Fórum Social também se articula. "Depois da crise, que levou por água abaixo o discurso do Estado mínimo, eles têm que repensar o que irão fazer. Nós, do FSM, não precisamos fechar para balanço, mas precisamos construir uma unidade", disse.

João Felício, Secretário de Relações Internacionais da Central Única dosTrabalhadores (CUT), aproveitou para cobrar o aprofundamento das análises sobre o Fórum Econômico. "Não vejo na imprensa um artigo, uma reportagem falando sobre o Fórum de Davos."

Agência Brasil Agência Brasil
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